Juristas falam sobre violência contra as mulheres em sessão solene


A desembargadora Alice Teles de Oliveira pontuou que o mês de março é oportuno para refletir sobre a situação das mulheres no Brasil ao falar um pouco de seu trabalho como coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). A fala se dá na sessão solene homenagem às mulheres, evento em curso no Plenário Iris Rezende da Casa de Leis, por iniciativa da deputada Bia de Lima (PT).    

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Alice Oliveira observou que o Estado de Goiás registrou, em 2025, 60 casos de feminicídio e salientou a importância de atuação conjunta entre os poderes Judiciário e Legislativo e as forças de segurança. “No Brasil, uma mulher é vítima de estupro a cada seis horas. É um número assustador, triste. Sabemos que é estrutural e o Tribunal de Justiça, sozinho, não pode fazer nada. Temos que trabalhar de mãos dadas e cobrar por políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica”, frisou. Assim, ela parabenizou a atuação de Bia de Lima como deputada estadual.

A desembargadora encerrou sua fala citando a música “Para todas as mulheres”, da cantora Mariana Nolasco, declarando que “abafaram nossa voz, mas esqueceram de que não estamos sós.”

Transformação

Na sequência, subiu à tribuna a vice-coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência do TJ-GO, Simone Pedra Reis. A magistrada chamou atenção para, além da resposta estatal baseada na repressão, uma “verdadeira transformação cultural” e alertou para a baixa faixa etária dos agressores. “Temos uma geração jovem, misógina e agressiva, que precisa de uma transformação de mentalidade”, frisou.

Ela alertou que, apesar da atuação do Poder Judiciário, vê com preocupação as pequenas atitudes e a repetição de um discurso que legitima piadas machistas e misóginas. “Estamos em um estado de guerra contra as mulheres. Sessenta feminicídios no ano passado, 20 em março deste ano. Qual será esse número em dezembro? Eu vejo com preocupação o crescimento desses números.”

Por fim, a juíza falou que as mulheres são agentes de transformação da sociedade e, portanto, têm o poder de alterar a mentalidade dos jovens e diminuir o número de casos de violência doméstica. “Precisamos criar nossos meninos com uma mentalidade mais humana e empoderar nossas filhas para que elas não aceitem serem agredidas. Cabe a nós promover essa transformação e temos esse poder”, encerrou.



FONTE GOVERNO DE GOIÁS

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