Ricardo Quirino promove audiência pública para discutir a sobrecarga feminina e seus impactos na saúde mental das mulheres


Dentro do mês que celebra o Dia Internacional da Mulher, o deputado estadual Ricardo Quirino (Republicanos),  realizou na manhã desta quarta-feira, 18, audiência pública para discutir a “Sobrecarga feminina e seus impactos na saúde mental”. O encontro teve lugar na Sala das Comissões Júlio da Retífica e reuniu especialistas, representantes de movimentos femininos e servidoras.

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Além do parlamentar, participaram da mesa diretiva a médica neurologista Josiany Cardoso, a psicóloga Juliane Moraes, a fisioterapeuta Simone Lemos e a representante do grupo social Instituto EnvelheSeres, Kleinam Cavalcante.

Ao abrir o evento, Quirino falou que a ideia surgiu de um evento que ele realizou na Avenida Goiás, onde foi levantado esse tema, que segundo ele é de extrema relevância: a sobrecarga feminina e seus impactos na saúde mental das mulheres.

“A discussão trouxe um questionamento importante: até que ponto a carga de trabalho, muitas vezes acumulada entre vida profissional, pessoal e familiar, afeta diretamente o bem-estar emocional das mulheres?. Percebi a necessidade de ampliar o diálogo e incluir mais participantes na conversa, reforçando a importância de ouvir diferentes vozes sobre o tema”, disse o legislador.

Ao concluir, o parlamentar afirmou que a  pauta evidencia uma realidade cada vez mais presente e urgente, que precisa ser debatida com seriedade, empatia e profundidade.

Sobrecarga 

Em seguida, a neurologista Joseany Cardoso fez reflexões e alertas sobre os impactos da sobrecarga na saúde física e mental feminina. Para ilustrar a realidade, ela compartilhou o caso de uma paciente de 42 anos que procurou atendimento com queixa de insônia crônica. Apesar de jovem e em plena idade produtiva, a mulher vivia uma rotina intensa, marcada por múltiplas responsabilidades e ausência de pausas.

Segundo o relato, o impacto dessa rotina refletia diretamente na saúde física e mental. “Ela me disse: ‘eu não consigo desligar, não me permito e não tenho tempo para isso’. Esse é o retrato de muitas mulheres hoje”, destacou a médica.

Joseany Cardoso ponderou que a insônia, nesses casos, não deve ser tratada de forma isolada, pois é consequência de um estado contínuo de alerta e sobrecarga. “Sem mudança na rotina, não há tratamento que funcione. O corpo até deita, mas a mente continua ativa”, explicou.

A médica também chamou atenção para o chamado “funcionamento no automático”, quando a mulher segue cumprindo tarefas sem conseguir processar ou descansar mentalmente. “O cérebro fica sobrecarregado, e isso leva ao adoecimento.”

Dados apresentados pela neurologista reforçaram a dimensão do problema. Três em cada cinco mulheres sofrem com transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão. Em muitos casos, essas condições não têm origem genética, mas são provocadas pelo ambiente e pela exaustão. Outro dado preocupante aponta que aproximadamente 70% dos diagnósticos de depressão ocorrem em mulheres, evidenciando um desequilíbrio significativo.

Além da saúde mental, o estresse crônico também impacta o corpo feminino. Alterações no ciclo menstrual, intensificação da TPM, sangramentos irregulares e dificuldades no tratamento de condições como a síndrome dos ovários policísticos estão entre as consequências. Na saúde cardiovascular, os riscos também aumentam. Casos de hipertensão, infarto e acidente vacular cereberal (AVC) têm sido registrados com mais frequência, inclusive entre mulheres com menos de 50 anos.

Para Joseany Cardoso, o cenário exige uma mudança urgente na forma como a rotina feminina é estruturada. “É preciso rever a dinâmica do dia a dia. Muitas mulheres estão adoecendo e não enxergam saída. Precisamos olhar para isso com mais atenção e acolhimento.”

Saída

A neurologista apontou a importância em identificar os gatilhos do estresse e, principalmente, desenvolver a capacidade de impor limites no dia a dia. Depois de identificar essas fontes de estresse é necessário realizar  uma mudança de comportamento: aprender a dizer não. “Saber dizer não é um divisor de águas. E não apenas dizer não, mas dizer não sem culpa”, ressaltou.

A médica explicou que a sobrecarga feminina muitas vezes está ligada à dificuldade de recusar demandas, inclusive dentro de casa. Situações cotidianas, como assumir todas as tarefas domésticas ou não dividir responsabilidades com filhos e parceiros, contribuem para o esgotamento. “É ensinar os filhos a terem autonomia, dividir tarefas e não assumir tudo sozinha. O problema é que, quando a mulher diz não, muitas vezes vem a culpa. E essa culpa também adoece.”

Outro ponto importante abordado foi a necessidade de autocuidado. Mesmo diante de rotinas intensas, é fundamental reservar um tempo para si. “Nosso dia parece ter 48 horas, mas precisamos separar pelo menos uma hora para cuidar de nós mesmas”, disse.

Entre as orientações, ela reforçou a prática de atividade física como aliada da saúde mental. “A atividade física libera endorfina, hormônios que promovem o bem-estar. E não precisa ser academia. Uma caminhada já faz diferença.”

A médica também chamou atenção para situações comuns na rotina materna, como a falta de privacidade até em momentos simples. Ele observou que muitas mulheres não conseguem nem tomar um banho com tranquilidade, o que ilustra o nível de sobrecarga que elas vivem.

Para a neurologista, pequenas mudanças de hábitos podem representar grandes avanços na saúde feminina. “Identificar os gatilhos, impor limites e se permitir parar são passos fundamentais para evitar o adoecimento”, concluiu.

Saúde mental 

A psicóloga Juliana Moraes abordou a sobrecarga feminina e seus impactos na saúde mental, destacando dados recentes que evidenciam a gravidade do problema. Segundo pesquisa, 83% das mulheres acumulam trabalho, tarefas domésticas e cuidados familiares, dedicando em média quase o dobro de tempo que os homens a essas atividades. 

Ela mencionou que, além disso, mulheres representam a maioria dos afastamentos por problemas de saúde mental no trabalho, principalmente por ansiedade e depressão. A profissional alertou para os principais sinais de sobrecarga, como cansaço constante, irritabilidade, falta de motivação, pensamentos acelerados e dificuldade para dormir, ressaltando que esses sintomas muitas vezes são ignorados, mas indicam a necessidade urgente de atenção e cuidado.

Como caminho para o fortalecimento da saúde mental, a psicóloga enfatizou a importância de pedir ajuda e construir uma rede de apoio, quebrando a ideia de que a mulher precisa dar conta de tudo sozinha. 

Segundo ela, reconhecer limites e buscar suporte em familiares, amigos ou até mesmo em espaços como trabalho e comunidade é essencial para evitar o adoecimento. A psicóloga reforçou que, diante das exigências atuais, especialmente para mulheres que acumulam responsabilidades profissionais e pessoais, desenvolver apoio mútuo e cuidar de si não é opcional, mas fundamental para manter o equilíbrio e a qualidade de vida.

Atuando na linha da Gestalt-terapia, Juliana Moraes ressaltou a importância das parcerias femininas, reforçando a ideia que é possível que elas se unam umas às outras. Por fim, ela salientou que o melhor caminho é aquele que traz paz, lembrando da importância do cuidado com a tríade corpo, mente e espírito.

Representante do Projeto Instituto EnvelheSeres, iniciativa social voltada para pessoas com 60 anos ou mais, focada em promover saúde, autonomia, convivência e empoderamento na terceira idade, Kleinam Cavalcante afirmou  ser necessário olhar para todas as dimensões da  vida, especialmente a espiritual.

“Buscar esse equilíbrio, esse apoio em Deus, é essencial para termos força, sabedoria e conseguir lidar com tantas responsabilidades. Hoje, além de tudo, também somos desafiadas a empreender e contribuir cada vez mais com a estabilidade da família, o que torna essa jornada ainda mais intensa, mas a verdade é que precisamos dessa conexão com Deus, dessa fonte de força, sabedoria e equilíbrio para enfrentar a rotina e sobrecarga”, afirmou Kleinam Cavalcante.

A advogada Maria Teresinha do Prado, falou durante o debate e aconselhou  as mulheres não assumirem tudo sozinhas.” Dividam as responsabilidades. Esse papel de provedoras, quando é solitário, esgota. Vocês vão se cansar muito rápido. Eu tenho 78 anos, construí uma vida equilibrada sem carregar tudo nas costas. A gente pode contribuir, cuidar, participar, sem se sobrecarregar. Pensem nisso”, concluiu.



FONTE GOVERNO DE GOIÁS

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