EXCLUSIVO: Reunião Convocada por Wellington Luiz pode acelerar votação de Projeto Bilionário que coloca imóveis do DF em risco

Renata Schuster Poli – Jornalista, pós graduada em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, analista política com mais de vinte anos tendo trabalhado na Câmara Federal, vice-governadoria e governadoria do GDF, EX- assessora na Câmara Legislativa DF, CEO grupo Vou Lá de Comunicação.

A movimentação nos bastidores da Câmara Legislativa do Distrito Federal voltou a expor aquilo que muitos deputados evitam admitir em público: a disposição de votar projetos sensíveis em ritmo acelerado, ainda que nem todos saibam exatamente o tamanho da conta que pode recair sobre o Distrito Federal.

O SEI_CLDF – 2541415 – Memorando-Circular , que trata de encaminhamentos no âmbito do colégio de líderes, revela a articulação para colocar a proposta em pauta. O problema não é o trâmite formal — é a pressa. A toque de caixa. Sem debate público consistente. Sem tempo real para análise técnica aprofundada. E, ao que tudo indica, sem disposição política para abrir a caixa-preta dos impactos financeiros e patrimoniais envolvidos.

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Agora, a ofensiva ganhou hora e local marcados. O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, convocou reunião para esta terça-feira (24), às 14h30, com todos os deputados distritais, integrantes do Poder Executivo e representantes do Banco de Brasília (BRB). Nos bastidores, o encontro é visto como etapa decisiva para acelerar a votação do que opositores já classificam como “projeto-bomba”.

A proposta envolve operação bilionária que pode comprometer o Distrito Federal por anos. Caso avance nos moldes ventilados, a medida tende a gerar dívidas que deverão ser honradas pelos próximos governadores, amarrando futuras gestões a compromissos assumidos sob forte pressão política. O risco mais sensível: a possibilidade de perda de imóveis públicos que estariam sendo oferecidos como garantia da operação.

Deputados da base governista dão sinais de que o roteiro já estaria previamente combinado: aprovar primeiro, explicar depois. Parlamentares admitem, reservadamente, que ainda não tiveram acesso integral a estudos técnicos detalhados nem a simulações claras sobre cenários de inadimplência, impacto fiscal e consequências patrimoniais.

A pergunta que cresce fora do plenário é direta: por que tanta urgência em um tema que pode redefinir o equilíbrio financeiro do DF? Projetos que envolvem garantias imobiliárias e compromissos bilionários não costumam ser votados sob clima de urgência política — ao menos não sem amplo debate, audiências públicas e transparência total.

Se a reunião servir apenas para alinhar votos e consolidar maioria automática, a Câmara corre o risco de reforçar a imagem de subserviência ao Executivo, abrindo mão do papel de fiscalização para atuar como mera chancela de decisões previamente fechadas no Palácio.

No fim, o que está em jogo não é apenas uma votação. É a responsabilidade sobre uma conta que pode atravessar governos — e recair, como sempre, sobre o contribuinte do Distrito Federal.

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