Em meio a um cenário de sucessivas turbulências políticas e graves questionamentos sobre a gestão do Distrito Federal, a Câmara Legislativa do DF (CLDF) adota uma postura de silêncio e submissão que tem causado indignação na população. Mesmo diante de escândalos que se acumulam no governo local, os parlamentares seguem inertes, enquanto dois pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB) permanecem parados, juntando poeira nas gavetas do Legislativo.
Atualmente, a CLDF acumula dois requerimentos formais de impeachment. O primeiro foi protocolado pelo advogado Marco Vicenzo, e o segundo pelo professor Antônio Leitão. Ambos apontam fatos graves que, segundo os autores, justificariam ao menos a abertura de análise e debate no Parlamento. No entanto, até agora, não houve qualquer movimentação concreta para dar andamento aos pedidos.
Os poucos parlamentares que vêm se pronunciando publicamente sobre os escândalos e sobre a necessidade de análise dos pedidos de impeachment pertencem à oposição, formada por deputados do PT, PSOL, PSB e PSDB. Juntos, esses partidos representam uma minoria na Câmara Legislativa. Os demais parlamentares, que compõem a ampla base de apoio ao governo, permanecem em silêncio absoluto e, até o momento, não fizeram qualquer pronunciamento público sobre o tema.
A omissão da maioria dos deputados distritais levanta questionamentos sobre a independência da Câmara Legislativa e o real compromisso do Parlamento com sua função constitucional de fiscalizar o Poder Executivo. Em vez de cumprir seu papel institucional, a Casa parece atuar como escudo político do governador, ignorando denúncias e evitando o enfrentamento dos temas que afetam diretamente a sociedade brasiliense.
A expectativa da população é que, com o início dos trabalhos legislativos marcado para o dia 2 de fevereiro, os pedidos finalmente sejam apreciados. No entanto, o histórico recente da CLDF não inspira confiança. A demora excessiva reforça a percepção de conivência e enfraquece a credibilidade do Parlamento perante a opinião pública.
Enquanto isso, o Distrito Federal segue mergulhado em crises, sem respostas claras e sem o devido debate político. O silêncio da Câmara Legislativa, diante de fatos tão relevantes, não é apenas uma escolha política — é uma renúncia ao dever de representar e defender os interesses da população.

