CPI vira peça de disputa política e levanta questionamentos sobre estratégia do PL

O pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) protocolado pelo PL na Câmara Legislativa do Distrito Federal tem sido interpretado nos corredores da CLDF como uma iniciativa mais ligada ao cenário eleitoral do que propriamente à efetiva instalação de uma investigação. Parlamentares da Casa apontam que a iniciativa pode revelar desconhecimento do regimento interno ou, ainda, configurar uma manobra política com objetivo de gerar desgaste público.

Isso porque um pedido semelhante já havia sido protocolado anteriormente por deplutados de oposição em novembro de 2025. Na ocasião, a proposta reuniu sete assinaturas de parlamentares de diferentes partidos — entre eles PSOL, PT, PSB e PSDB — ficando a apenas uma assinatura do número mínimo necessário para provocar a instalação da comissão.

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Pelo regimento da Câmara Legislativa, no entanto, para que um novo pedido de CPI possa tramitar em regime de urgência e ultrapassar outros requerimentos já protocolados, é necessário reunir ao menos 13 assinaturas. Sem esse número, o novo requerimento não tem força regimental para sobrepor iniciativas anteriores.

A movimentação também gerou críticas por conta do apoio político à iniciativa. Lideranças ligadas ao PL, entre elas as deputada federal Bia Kicis e a ex primeira dama Michelle Bolsonaro, teriam incentivado o gesto político.

A articulação, no entanto, é vista como contraditória diante do apoio que ambas sinalizam à eventual candidatura da vice-governadora Celina Leão. Aliada direta do governador Ibaneis Rocha, Celina tem exercido o comando do Governo do Distrito Federal em diversas ocasiões nos últimos três anos, durante ausências do titular do cargo.

O episódio reforça o clima de antecipação da disputa eleitoral no Distrito Federal, onde movimentos parlamentares e requerimentos legislativos passam a ser analisados também sob o prisma estratégico da corrida política.

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