Deputado recebeu R$ 800 mil para a campanha e contratação declarada chama atenção quando comparada a gasto semelhante de Arruda
A campanha do deputado distrital Rogério Morro da Cruz (PSD) voltou a provocar questionamentos em São Sebastião. Desta vez, o foco está nos gastos declarados com estrutura de campanha e, especificamente, na contratação de um trio elétrico para atividades eleitorais.
Segundo dados disponíveis na prestação de contas eleitoral, o parlamentar declarou R$ 800 mil em recursos para a campanha. Entre as despesas aparece uma contratação de R$ 90 mil relacionada ao uso de trio elétrico, valor que chama atenção quando comparado a uma contratação semelhante atribuída à campanha de Arruda candidato ao GDF.
Na prestação de contas de Arruda, aparece uma despesa de R$ 36 mil pelo uso de trio elétrico, durante período limitado a 100 quilômetros por dia, incluindo motorista e combustível. A diferença entre os valores declarados é significativa: R$ 54 mil, ou seja, o valor atribuído à campanha de Morro da Cruz é 2,5 vezes maior.
A comparação, por si só, não significa irregularidade, já que contratos podem envolver condições, períodos, equipamentos e serviços diferentes. Mas a diferença de preço levanta uma pergunta objetiva: o que exatamente estava incluído na contratação de R$ 90 mil?
Carreata aumenta questionamentos
A discussão ganhou força após a carreata realizada pelo deputado no último final de semana.
Nas imagens que circulam nas redes sociais, Rogério Morro da Cruz aparece discursando a partir de uma camionete, ao lado de colaboradores. O material divulgado até o momento não permite identificar com segurança qual veículo corresponde ao trio elétrico declarado na prestação de contas.
É justamente esse ponto que merece esclarecimento da campanha: qual foi o trio elétrico contratado, em quais datas foi utilizado, por quantos dias e quais serviços estavam incluídos nos R$ 90 mil?
A prestação de contas eleitoral permite justamente que o eleitor acompanhe os recursos utilizados durante a campanha. O acompanhamento oficial dos gastos é feito pelo sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral.
Dinheiro de campanha sob os holofotes
O volume de recursos também coloca a campanha de Morro da Cruz no centro das atenções. Levantamento baseado em dados eleitorais aponta R$ 800 mil declarados em recursos e mais de R$ 700 mil em despesas na prestação parcial disponível.
O contraste ganha ainda mais peso porque Rogério disputa a reeleição em uma região onde mantém sua principal base política.
Em 2022, ele foi eleito deputado distrital com 18.207 votos e construiu sua trajetória política em São Sebastião, onde também presidiu a Associação de Moradores do Morro da Cruz.
Derrubadas voltam ao centro do debate
Enquanto a campanha investe pesado em estrutura eleitoral, outro tema sensível voltou a mobilizar moradores de São Sebastião: as derrubadas de construções em áreas ainda envolvidas em disputas e processos de regularização fundiária.
O assunto é particularmente delicado para Morro da Cruz porque a regularização fundiária sempre foi uma das principais bandeiras apresentadas pelo parlamentar.
Em manifestações na Câmara Legislativa, o próprio deputado já relatou ter enfrentado operações de derrubada no passado e defendeu ações de regularização e escrituração para moradores de São Sebastião. Em 2025, afirmou ter destinado milhões de reais para essa finalidade.
Mais recentemente, o parlamentar também afirmou na CLDF que trabalha pela regularização de áreas como Capão Comprido e que recursos foram destinados para infraestrutura e iluminação na região.
Agora, relatos de novas derrubadas colocam novamente a questão fundiária no debate eleitoral local. O próprio Blog do Cafezinho já registrou a repercussão do tema entre moradores e lideranças da região.
A conta eleitoral
A campanha de Rogério Morro da Cruz entra, portanto, em uma fase de forte cobrança. De um lado, há uma estrutura eleitoral com recursos expressivos e despesas que começam a ser escrutinadas publicamente. De outro, existe uma base eleitoral diretamente impactada pelo debate sobre regularização fundiária e derrubadas.
Dentro do PSD, circulam estimativas de que a nominata poderá exigir algo em torno de 25 mil votos para garantir uma cadeira na Câmara Legislativa. Trata-se, porém, de uma estimativa política interna, e não de uma previsão oficial ou garantia de eleição.
Rogério chegou à corrida eleitoral com 18.207 votos obtidos em 2022. Agora, além de ampliar sua votação, terá de administrar o debate sobre os gastos de campanha e responder às cobranças que surgem justamente em sua principal região eleitoral.
O ponto que permanece no ar é simples: se foram declarados R$ 90 mil pelo trio elétrico, onde está o equipamento e qual foi exatamente o serviço contratado?
A resposta cabe à campanha e pode ser conferida na documentação oficial da prestação de contas eleitoral.





