PSD NACIONAL REPASSA MAIS DE R$ 11 MILHÕES AO DF, CONCENTRA RECURSOS EM POUCOS NOMES E DEIXA MAIORIA DOS CANDIDATOS À MÍNGUA

Renata Schuster Poli – Jornalista, pós-graduada em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, CEO do Grupo Vou Lá de Comunicação e analista política com mais de vinte anos de experiência. Atuou na Câmara dos Deputados, na Vice-Governadoria e na Governadoria do Governo do Distrito Federal, além da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Enquanto candidatos a deputado distrital e federal tentam colocar suas campanhas nas ruas com recursos próprios, o PSD no Distrito Federal vive um clima de crescente insatisfação interna após a concentração milionária de recursos eleitorais em um grupo restrito de candidatos.

Segundo informações repassadas por fonte do portal e dados que podem ser verificados no sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral, a Executiva Nacional do PSD teria destinado aproximadamente R$ 11.255.000 milhões para candidatos no Distrito Federal.

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O que chama atenção é a forma como os recursos teriam sido distribuídos.

De acordo com os valores informados, a maior parte do montante ficou concentrada em apenas 11 candidatos, enquanto dezenas de candidatos a deputado distrital e federal estariam, segundo relatos obtidos pelo portal, praticamente sem condições financeiras de desenvolver suas campanhas.

A distribuição informada seria a seguinte:

  • Candidato ao Governo do Distrito Federal: R$ 3,010 milhões;
  • Senador Ronaldo Fonseca: R$ 1,5 milhão;
  • Primeira suplente Eunice Santos: R$ 2 milhões;
  • Carol Fleury: R$ 2.290 milhões;
  • Delegado Nugoli: R$ 200 mil;
  • Júlio Isidro: R$ 100 mil;
  • Sargento Eliomar: R$ 150 mil;
  • Abadia: R$ 500 mil;
  • Rogério Morro da Cruz: R$ 800 mil; apoiador da Candidata ao GDF Celina Leão (PP) concorrente de Arruda ao GDF
  • Simone Magalhães: R$ 155 mil;
  • Jabá: R$ 50 mil.
  • Em caixa R$ 500.000,00

Enquanto alguns receberam centenas de milhares — e até milhões de reais —, outros candidatos afirmam estar literalmente a ver navios.

“SEM RECURSO, NÃO HÁ CAMPANHA”

O clima de revolta teria aumentado durante reunião realizada no dia 31 de agosto comandada pelo vice-presidente (presidente) do partido Lucas Kontoyanis.

Segundo relatos de participantes e fontes ouvidas pelo portal, candidatos que demonstraram insatisfação com a distribuição dos recursos teriam recebido uma resposta dura da direção partidária.

A mensagem, segundo os relatos, teria sido direta: quem não estivesse satisfeito poderia renunciar à candidatura, pois o partido teria outros nomes para substituí-los dentro do prazo eleitoral ou seja os atuais candidatos da legenda são descartaveis.

A declaração, se confirmada, expõe o tamanho da crise interna instalada na legenda.

Afinal, candidatos que passaram meses organizando pré-campanhas, mobilizando apoiadores e investindo recursos próprios agora enfrentam a possibilidade de ver todo esse esforço simplesmente desaparecer por falta de dinheiro para colocar a campanha nas ruas.

BANDEIRAS E PANFLETOS PODEM VIRAR PREJUÍZO

Alguns candidatos procuraram o portal para relatar a situação.

Segundo eles, bandeiras, panfletos e outros materiais gráficos já foram confeccionados ou contratados com a expectativa de que os recursos partidários fossem disponibilizados.

Agora, sem dinheiro para distribuição, equipes, mobilização e estrutura de campanha, parte desse material pode simplesmente ficar parada.

Ou seja: material produzido, dinheiro gasto e campanha sem condições de sair do papel.

A situação gera um questionamento inevitável dentro da própria legenda: qual foi o critério utilizado para definir quem receberia milhões e quem ficaria praticamente sem nada?

CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS GERA REVOLTA

A insatisfação não se limita apenas à falta de recursos.

Candidatos questionam a concentração de valores expressivos em poucos nomes enquanto outros integrantes das nominatas — especialmente candidatos a deputado distrital e federal — precisam recorrer a recursos próprios, voluntários e improvisações para tentar sobreviver eleitoralmente.

Na prática, a divisão de recursos pode definir quem terá estrutura para disputar a eleição e quem entrará na campanha apenas para compor a chapa.

E é justamente esse o sentimento que começa a tomar conta de parte dos candidatos do PSD no Distrito Federal: o de que alguns receberam combustível para disputar a eleição, enquanto outros foram deixados no acostamento.

O episódio amplia a pressão sobre a direção partidária e pode provocar novos desdobramentos nos próximos dias.

O espaço permanece aberto para que a direção do PSD Nacional e do PSD-DF apresente sua versão sobre os critérios utilizados na distribuição dos recursos eleitorais e se manifeste sobre os relatos atribuídos à reunião realizada no dia 31 de agosto.

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