Enquanto o paciente espera, o dinheiro da Saúde rende no BRB: Grass coloca R$ 120 milhões no centro da eleição

Enquanto o paciente espera, o dinheiro da Saúde rende no BRB: Grass coloca R$ 120 milhões no centro da eleição.

Candidato do PT questiona aplicação de recursos do Fundo de Saúde em CDB do banco e cobra explicações de Celina Leão.

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Por essa o paciente que está esperando atendimento talvez não esperasse.

Enquanto a população enfrenta filas, demora por exames, cirurgias e atendimento na rede pública, o candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) colocou uma cifra de R$ 120 milhões no centro da campanha eleitoral.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Grass afirma que recursos do Fundo de Saúde do DF foram transferidos, em 21 de setembro, para o Banco de Brasília (BRB) e aplicados em CDB.

A denúncia foi reforçada pelo candidato durante o debate eleitoral realizado nesta semana. Segundo Grass, a documentação que ele apresentou registra a movimentação financeira.

Dinheiro para render ou dinheiro para atender?

É aí que começa a parte mais incômoda da história.

De um lado, há pacientes esperando atendimento e procedimentos na rede pública. De outro, segundo a denúncia de Grass, R$ 120 milhões que estavam no Fundo de Saúde foram parar em uma aplicação financeira do BRB.

 

A pergunta política é inevitável:

 

por que esse dinheiro foi aplicado?

 

Qual foi a justificativa técnica? Quem autorizou? Qual o prazo da aplicação? Quando os recursos estarão novamente disponíveis para a Saúde?

 

E, principalmente: qual era a prioridade naquele momento — fazer o dinheiro render ou colocar o dinheiro para funcionar onde o paciente está esperando?

 

Grass sustenta que a movimentação precisa ser explicada pelo governo de Celina Leão (PP). A denúncia ocorre justamente no momento em que o BRB enfrenta uma crise financeira e o governo busca uma solução para a instituição.

 

A coincidência que alimenta a desconfiança

 

O episódio ganha uma dimensão ainda maior porque o próprio BRB está no centro de uma crise que domina o debate político do DF.

 

O Tribunal de Contas do Distrito Federal cobrou esclarecimentos sobre aplicações de aproximadamente R$ 3,4 bilhões do Tesouro do DF em CDBs do BRB.

 

Agora surge uma nova pergunta: o dinheiro da Saúde também está sendo utilizado em operações financeiras com o banco?

 

Essa é a questão levantada por Grass — e ela exige resposta documental, não apenas discurso eleitoral.

 

Celina precisa explicar

 

Não se trata, neste momento, de afirmar que houve irregularidade.

 

A questão é outra: uma operação dessa magnitude precisa ser transparente.

 

Se a aplicação dos R$ 120 milhões é legal, regular e tecnicamente justificável, o governo pode explicar os motivos, apresentar os documentos e informar quando os recursos estarão disponíveis para a Saúde.

 

Mas, enquanto isso não acontece, a oposição ganhou uma munição poderosa para explorar a contradição:

 

hospital cheio, fila crescendo e dinheiro da Saúde rendendo no banco.

 

No eleitorado, a pergunta tende a ser simples:

quem está esperando o quê — o paciente esperando atendimento ou o governo esperando o dinheiro render?

Café com Pimenta

A eleição entrou na reta final. E quando aparecem R$ 120 milhões, Saúde pública e BRB na mesma história, não basta dizer que está tudo certo.

O contribuinte quer saber onde está o dinheiro. E o paciente quer saber quando chega a sua vez.

 

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