A conta não fecha — e a revolta já tomou conta dos bastidores do PSD no Distrito Federal.
A informação de que o deputado distrital Rogério Morro da Cruz (PSD) teria sido contemplado com quase R$ 1 milhão do fundo eleitoral para disputar as eleições deste ano provocou indignação entre candidatos da própria legenda, que cobram explicações da direção partidária e ameaçam abandonar a disputa.
O motivo da revolta é ainda mais explosivo: enquanto os demais candidatos são cobrados para defender a candidatura de José Roberto Arruda ao GDF, Morro da Cruz declara apoio justamente à adversária de Arruda, a governadora Celina Leão (PP).
Ou seja: o partido de Arruda colocaria quase R$ 1 milhão na campanha de um candidato que não está com Arruda.
Nos bastidores, candidatos questionam por que deveriam permanecer em uma nominata na qual, segundo relatos, faltariam recursos para quem está efetivamente trabalhando pelo projeto majoritário do PSD, enquanto um parlamentar alinhado à adversária teria acesso a uma fatia milionária do fundo eleitoral.
A insatisfação é tamanha que já há ameaça de renúncia de candidaturas, caso a direção do partido não esclareça os critérios utilizados para a distribuição dos recursos.
E a situação de Morro da Cruz ganha um ingrediente político ainda mais delicado: o deputado foi relator do processo envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB, operação que colocou o parlamentar no centro de uma das discussões políticas mais sensíveis do Distrito Federal.
REUNIÃO EMERGENCIAL
Diante da crise, a direção regional do PSD-DF marcou para hoje uma reunião emergencial, na tentativa de conter a debandada de candidatos e estancar o desgaste que ameaça atingir em cheio a legenda.
O encontro ocorre em meio a cobranças por mais transparência na distribuição dos recursos do fundo eleitoral e à crescente insatisfação dos candidatos que afirmam não ter recebido o mesmo tratamento.
O temor nos bastidores é que a crise saia do controle e leve a nominata do PSD à ruína, justamente por falta de transparência e de critérios claros na distribuição dos recursos.
Agora, a direção terá de responder às perguntas que incomodam os candidatos:
Quem recebeu? Quanto recebeu? Por que recebeu? E quais foram os critérios utilizados?
Enquanto essas respostas não aparecem, a pressão aumenta.
A reunião de hoje poderá ser decisiva para evitar uma debandada — ou poderá ser o início da implosão da nominata do PSD no DF.

