As eleições nos Estados Unidos (EUA) têm várias diferenças do processo eleitoral realizado no Brasil, desde a forma de votar – nos EUA a urna eletrônica é usada, mas também é possível votar com cédula de papel e pelo correio – até as regras que definem o novo presidente da República. Outra diferença importante são as eleições de meio de mandato do presidente, ou midterms, realizadas nesta semana no país.

As midterms são eleições que mudam a composição do Congresso estadunidense ao fim do segundo ano do mandato presidencial, ou seja, na metade do mandato do chefe do Executivo nacional. Nessas eleições, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes – o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – ficam em disputa. Além disso, um terço do Senado é renovado.
Na Câmara, o mandato é de dois anos. Ou seja, são renovados tanto no início do mandato presidencial, as chamadas eleições gerais, quanto nas midterms. Já o mandato de um senador nos Estados Unidos é de seis anos. São 100 senadores no total, com renovação de 34 ou 35 cadeiras a cada dois anos. Este ano são 35.
Como apenas um terço do Senado é renovado a cada vez, nem todos os 50 estados elegem novos senadores nas eleições de 3 de novembro. Desta vez, 15 estados não votam. São eles: Arizona, Califórnia, Connecticut, Havaí, Indiana, Maryland, Missouri, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Pensilvânia, Utah, Vermont, Washington e Wisconsin.
Por que é importante?
A disputa de assentos no Congresso serve como termômetro da opinião pública sobre o governo federal. Quanto mais insatisfeitos com o atual presidente, mais os cidadãos tendem a refletir isso nas urnas, votando em políticos do partido contrário.
Nos EUA, dois partidos dominam a política, os Republicanos e os Democratas. Existem outros, como o Partido Verde e o Libertário, mas com pouca presença no Congresso.
O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é do Partido Republicano. A vitória do Partido Democrata, conquistando a maior parte das cadeiras da Câmara e também no Congresso, mostrou o desgaste que o presidente vem sofrendo perante seu eleitor
Esse desgaste já vinha aparecendo nas pesquisas de opinião. Nos últimos meses, os índices de aprovação do governo Trump não ultrapassavam a casa dos 30%. A desaprovação, por sua vez, tem sido na casa dos 60%.
Com o Congresso (Câmara e Senado) com maioria do partido adversário até o fim do mandato, ou seja, pelos próximos dois anos, Donald Trump terá dificuldades em aprovar projetos de autoria do Poder Executivo. Isso pode engessar sua gestão para questões mais polêmicas, como tarifas contra outros países e a guerra contra o Irã.
O presidente norte-americano depende do Congresso, entre outras coisas, para aprovação de orçamento; criação e alteração de leis; aprovação de nomes para a Suprema Corte, para o Gabinete Presidencial e para o comando de agências federais, como o FBI e a CIA.
Além disso, o Congresso tem a palavra final sobre o envio de dinheiro para reforçar militarmente algum outro país em guerra e sobre a declaração de guerra a outra nação.
Governadores
A população não escolhe apenas novos senadores e deputados nas midterms. Dos 50 estados, 36 elegem novos governadores. Nem todos os estados têm eleições para governador porque cada estado tem a sua regra eleitoral. Os estados de Nova Jersey e Virginia tiveram suas últimas eleições para governador em 2025. A próxima escolha será apenas em 2029.
Por ter regras específicas, cada estado também traz uma cédula com votações próprias. Os eleitores do Kansas, por exemplo, votaram para deputado, senador, governador, secretário de Estado do Kansas, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros.
No estado do Missouri, vizinho de Kansas, os eleitores votaram apenas para auditor estadual, deputado e representantes estaduais, o equivalente a deputado estadual no Brasil.
Além disso, cada estado aproveita a ida dos eleitores às urnas para fazer consultas públicas. Na cédula do Kansas, por exemplo, havia uma consulta a ser feita. Na cédula do Missouri, por sua vez, havia oito consultas.
Fonte: Agência Brasil
