Candidato do PSD é alvo de ação que aponta possível abuso de poder político e uso eleitoral de obras públicas. Pedido inclui suspensão de vídeos e aplicação de sanções que podem atingir sua participação na eleição deste ano.
Rogério Morro da Cruz que foi relator do projeto para compra do Banco Master pelo BRB agora terá que se explicar no TRE-DF sobre a representação eleitoral protocolada nesta semana.
A eleição está batendo à porta, mas o futuro eleitoral de Rogério Morro da Cruz (PSD) acaba de ganhar um capítulo que pode complicar sua permanência na disputa.
Uma representação protocolada em 29 de setembro de 2026 no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) pede a investigação do deputado distrital e candidato à reeleição por suposta prática de conduta vedada e abuso de poder político.
A ação foi apresentada por um delegado da Policia Civil, envolve o administrador regional de São Sebastião, Valmir José da Conceição.
O documento pede providências judiciais que incluem a suspensão de vídeos eleitorais, apuração do possível uso da estrutura pública e, caso as irregularidades sejam comprovadas, aplicação de sanções que podem alcançar o registro ou diploma do candidato, além de inelegibilidade nos termos da legislação.
Traduzindo para o eleitor: se as acusações forem comprovadas e houver decisão judicial nesse sentido, Rogério poderá enfrentar consequências capazes de comprometer sua participação eleitoral.
Obra pública virou palanque eleitoral?
O centro da representação é a utilização de obras de pavimentação em São Sebastião como cenário de conteúdos de campanha.
Segundo a petição, vídeos apresentados à Justiça Eleitoral mostram Rogério em área de obra pública, usando camiseta com seu nome, número e identificação como candidato a deputado distrital.
Em outro registro, conforme descrito na ação, imagens da via pública aparecem acompanhadas de identificação eleitoral do parlamentar.
A acusação sustenta que teria ocorrido uma associação entre serviços custeados pelo poder público e a promoção da candidatura.
A questão levantada é direta: uma obra pública, financiada com recursos que pertencem à população, pode ser transformada em vitrine eleitoral de um candidato?
O parlamentar tem direito de divulgar emendas, indicações e ações de fiscalização. O que a Justiça Eleitoral deverá examinar é se, neste caso, houve extrapolação dos limites legais e utilização indevida de bens ou estruturas públicas.
Administração de São Sebastião também entra no radar
A representação solicita esclarecimentos sobre a eventual participação da Administração Regional de São Sebastião na produção ou divulgação dos vídeos.
Entre as diligências requeridas estão informações sobre:
• Origem dos recursos utilizados nas obras;
• Contratos, empresas executoras e ordens de serviço;
• Eventual participação de servidores públicos;
• Possível utilização de veículos, equipamentos ou estruturas administrativas;
• Comunicação entre a Administração Regional e a equipe de campanha.
A petição também menciona registros públicos de proximidade política entre Rogério e o administrador regional, mas sustenta que a extensão dessa relação precisa ser comprovada durante a investigação.
O relógio eleitoral não para
Com a votação marcada para domingo, 4 de outubro, o caso ganha relevância pelo curto intervalo para eventual apreciação de medidas urgentes.
O representante pediu a retirada dos vídeos questionados, a proibição de republicação do mesmo conteúdo e a preservação dos registros digitais.
Também requereu que, ao final do processo, sejam aplicadas as sanções cabíveis se as infrações forem comprovadas.
É importante ressaltar: a representação não equivale a uma condenação, e o protocolo do pedido não significa que a candidatura esteja automaticamente cancelada.
Rogério tem direito à defesa e à apreciação das acusações pela Justiça Eleitoral.
A política do Distrito Federal chega à reta final com uma pergunta incômoda para o candidato do PSD: onde termina a prestação de contas do mandato e começa a promoção eleitoral com a imagem de uma obra pública?
Se a Justiça confirmar as irregularidades apontadas, o problema poderá ultrapassar o campo da propaganda e atingir diretamente a situação eleitoral do parlamentar.
O eleitor está prestes a votar. E a Justiça Eleitoral terá a palavra sobre os limites entre mandato, máquina pública e campanha.
O espaço permanece aberto para manifestação de Rogério Morro da Cruz e dos demais citados.
Fonte: Representação por conduta vedada cumulada com Ação de Investigação Judicial Eleitoral por abuso de poder político, protocolada no TRE-DF em 29 de setembro de 2026.

