CALA A BOCA” E “UM LIXO”: reunião do PSD-DF termina em bate-boca e revolta por recursos

Racha no PSD-DF: reunião vira palco de cobranças, gritos e revolta contra distribuição de recursos

BRASÍLIA — O clima dentro do PSD-DF está longe de ser de tranquilidade. Uma reunião conduzida pelo presidente regional da legenda, Paulo Octávio, e pelo vice-presidente e coordenador da nominata de candidatos a deputado distrital, Lucas Kontoyanis, teria terminado em forte tensão, cobranças e bate-boca entre participantes.

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Segundo relatos de pessoas que estiveram no encontro, o que deveria ser uma reunião para tratar da organização da campanha acabou concentrando uma série de reclamações relacionadas à distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e ao espaço destinado às candidaturas na propaganda eleitoral.

O ponto mais sensível da discussão teria sido a diferença entre os valores destinados aos integrantes da nominata.

De acordo com informações constantes da prestação de contas eleitoral, Rogério Morro da Cruz recebeu R$ 800 mil em recursos do FEFC provenientes do PSD. O valor, por si só, não permite concluir pela existência de qualquer irregularidade, já que o TSE estabelece que os partidos definam critérios próprios para distribuição dos recursos, observadas as regras legais, inclusive as relativas às cotas obrigatórias. (Justiça Eleitoral)

O que provocou a reação de outros candidatos, segundo participantes ouvidos pelo Blog do Cafezinho, foi justamente a diferença entre os valores destinados às candidaturas.

Uma candidata teria questionado por que recebeu apenas R$ 20 mil, enquanto outros integrantes da nominata teriam recebido valores diferentes ou, segundo os relatos, ainda não teriam recebido recursos.

Durante a discussão, um participante teria sugerido que os critérios de distribuição fossem novamente debatidos e que houvesse maior equilíbrio na destinação dos recursos entre os candidatos.

Foi nesse momento que, segundo os relatos, a temperatura da reunião subiu de vez.

“CALA A BOCA”

Conforme pessoas presentes no encontro, Lucas Kontoyanis teria reagido de maneira ríspida a uma candidata e mandado que ela “calasse a boca”.

O Blog do Cafezinho registra a declaração como relato atribuído a participantes da reunião, e não como fato presenciado diretamente pela reportagem. Até o momento, a reportagem não teve acesso a gravação do diálogo que permita confirmar integralmente a conversa.

Ainda segundo os relatos, a resposta da candidata teria sido igualmente dura. Ela teria classificado o partido como “um lixo”, numa demonstração do grau de insatisfação que tomou conta daquele momento da reunião.

As declarações, caso confirmadas pelos envolvidos, mostram que o encontro esteve muito distante de uma conversa protocolar sobre organização eleitoral.

“QUERO VER CONSEGUIR 70 MIL VOTOS”

A discussão teria produzido ainda uma das frases mais contundentes do encontro.

Segundo participantes ouvidos pela reportagem, um dos presentes teria questionado a estratégia eleitoral montada em torno da candidatura de Rogério Morro da Cruz e afirmado:

“Quero ver Rogério Morro da Cruz conseguir sozinho 70 mil votos, pois a escada que foi montada para elegê-lo está bamba e pode desmontar a qualquer momento.”

A declaração é publicada pelo Blog do Cafezinho como fala atribuída a um participante da reunião.

Não se trata de previsão eleitoral feita pelo jornal nem de afirmação de que o candidato necessariamente alcançará ou deixará de alcançar determinado número de votos. É, segundo os relatos recebidos pela reportagem, uma manifestação de insatisfação de um integrante do próprio ambiente político do PSD-DF.

A BRIGA NÃO É APENAS PELO DINHEIRO

Embora o dinheiro tenha sido o estopim da discussão, os relatos indicam que a insatisfação seria mais ampla.

Candidatos também teriam questionado a distribuição de espaço e exposição na propaganda eleitoral, com a percepção, manifestada por participantes, de que determinadas candidaturas estariam recebendo maior atenção dentro da estratégia de campanha.

Aqui está uma questão objetiva que o PSD pode esclarecer: quais são os critérios utilizados para definir a distribuição dos recursos e da exposição eleitoral entre os candidatos?

O TSE informa que os critérios gerais para distribuição do FEFC aos candidatos devem ser definidos pela Comissão Executiva Nacional dos partidos e encaminhados à Justiça Eleitoral, com divulgação dos critérios. A própria página do TSE registra que essa definição é matéria interna da agremiação, ressalvadas as exigências legais, especialmente as cotas de gênero e raça.

Portanto, a diferença entre os valores recebidos pelos candidatos não é, isoladamente, prova de irregularidade.

O questionamento político é outro: quais critérios foram utilizados e como eles foram aplicados às diferentes candidaturas?

QUEM ESTÁ DECIDINDO OS RUMOS DO PSD-DF?

Outro foco de reclamação relatado durante a reunião seria a concentração das decisões dentro da direção regional.

Segundo participantes, existe a percepção de que decisões importantes da campanha estariam sendo conduzidas principalmente por Paulo Octávio e Lucas Kontoyanis, enquanto outros integrantes da nominata e da estrutura partidária nem sempre participariam previamente das discussões.

Trata-se, novamente, de percepção relatada por participantes, e não de conclusão independente da reportagem.

O anúncio do apoio do PSD-DF à candidatura de Celina Leão (PP) também teria provocado manifestações contrárias durante o encontro, ampliando o ambiente de insatisfação.

O resultado, segundo os relatos obtidos pelo Blog do Cafezinho, foi uma reunião marcada por cobranças, irritação e questionamentos sobre a condução da campanha.

A PERGUNTA QUE FICOU

No centro da crise interna existe uma pergunta simples:

Quais foram os critérios utilizados para distribuir os recursos do FEFC entre os candidatos do PSD e como foi definida a exposição de cada candidatura na propaganda eleitoral?

Os R$ 800 mil atribuídos a Rogério Morro da Cruz constam da documentação eleitoral mencionada na reportagem. Isso, por si só, não caracteriza irregularidade.

O próprio TSE estabelece que a distribuição dos recursos segue critérios definidos pelas instâncias partidárias competentes e submetidos à Justiça Eleitoral. A regularidade da utilização dos recursos é posteriormente examinada na prestação de contas.

O que existe, neste momento, é uma crise política interna relatada por candidatos e participantes da reunião, acompanhada de questionamentos sobre a diferença entre os recursos destinados às candidaturas e sobre os critérios de exposição eleitoral.

E é justamente aí que a direção do PSD-DF tem espaço para responder.

Paulo Octávio, Lucas Kontoyanis, Rogério Morro da Cruz e a direção do PSD-DF poderão apresentar suas versões, esclarecer os critérios adotados e contestar qualquer informação publicada nesta reportagem.

Porque uma reunião que, segundo relatos dos próprios participantes, termina entre “cale a boca”, “um lixo”, cobranças por recursos e críticas à estratégia eleitoral dificilmente pode ser tratada como uma simples conversa de rotina.

O Blog do Cafezinho continuará acompanhando os desdobramentos e, caso novos documentos ou manifestações dos envolvidos sejam apresentados, eles poderão ser incorporados à cobertura.

No PSD-DF, a pergunta agora não é apenas quanto cada candidato recebeu. É: quais foram os critérios e quem decidiu?

Observação editorial importante: eu evitaria publicar a frase “Rogério recebeu R$ 800 mil” sem manter o documento do DivulgaCandContas arquivado junto à matéria. O TSE mantém os sistemas oficiais de prestação de contas das Eleições 2026, e essa documentação é a melhor sustentação para o dado financeiro.

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