Distribuição do fundo eleitoral no PSD-DF chama atenção pela diferença entre os valores destinados às candidaturas majoritárias e os recursos que chegam aos candidatos e candidatas da chapa proporcional
Candidatos (as) questionam onde esta a planilha de tempo de TV no programa eleitoral e suspeitam que a distribuição não esta sendo igual para todos.
BRASÍLIA — A distribuição dos recursos de campanha dentro do PSD-DF começa a revelar uma situação que provoca questionamentos entre candidatos da própria legenda: enquanto candidaturas majoritárias receberam milhões de reais e contrataram serviços que chegam a centenas de milhares de reais, candidatos a deputado distrital teriam recebido valores muito menores — em alguns casos entre R$ 20 mil e R$ 30 mil — enquanto outros não receberam qualquer recurso.
Os números disponíveis na prestação de contas eleitoral mostram uma forte concentração dos recursos em algumas candidaturas.
O candidato ao Senado Ronaldo Fonseca recebeu R$ 3.005.000,00 em recursos de campanha. Entre os pagamentos declarados, aparece para Produção de rádio, televisão e vídeo, contratada por R$ 1.254.550,00. O valor representa aproximadamente 49.90%, considerando o montante de R$ 3,005 milhões informado.
Também consta uma despesa de R$ 392.500 mil com criação e inclusão de páginas na internet.
Na outra ponta, os dados apontam que apenas R$ 270 mil teriam sido destinados diretamente a candidatos da legenda.
Carol Fleury também concentra recursos
A candidata a deputada federal Carol Fleury recebeu R$ 2.250.000,00.
Entre os gastos declarados estão R$ 350 mil para a Parolle Comunicação e Serviços Especializados Ltda., R$ 280 mil para a Ksulo Agência de Publicidade Ltda. e R$ 200 mil destinados a um escritório de advocacia.
O escritório aparece relacionado a Michelle Prado, que também ocupa cargo no gabinete do deputado distrital e candidato à reeleição Rogério Morro da Cruz. A relação societária e funcional, por si só, não permite concluir pela existência de qualquer irregularidade, mas chama atenção pela proximidade entre os envolvidos e pelos valores contratados.
R$ 150 mil para produtora que já atendia o mandato
Outro caso que ganhou destaque envolve o próprio deputado Rogério Morro da Cruz, candidato à reeleição pelo PSD.
O parlamentar recebeu R$ 800 mil em recursos de campanha e contratou, por R$ 150 mil, a empresa Candanga Criativa e Produtora Ltda.
A empresa já havia prestado serviços ao mandato parlamentar por meio da verba indenizatória, em contratos de aproximadamente R$ 6 mil mensais. Durante o período eleitoral, a utilização da verba indenizatória fica suspensa conforme as regras aplicáveis ao período.
O novo contrato, agora com recursos eleitorais, representa um valor 25 vezes superior ao pagamento mensal anteriormente mencionado.
A contratação, entretanto, precisa ser analisada à luz da prestação de contas e das regras eleitorais. O fato de uma empresa já ter prestado serviços ao mandato não significa, por si só, que exista irregularidade na contratação durante a campanha.
Quem ficou para trás?
É justamente nesse ponto que surge a principal reclamação nos bastidores do PSD-DF.
Enquanto algumas candidaturas movimentam milhões de reais e realizam contratos de centenas de milhares de reais, candidatos e candidatas da chapa proporcional aparecem com recursos significativamente menores.
Há nomes que receberam cerca de R$ 20 mil a R$ 30 mil, enquanto outros teriam ficado sem qualquer repasse.
A diferença coloca em discussão uma questão política dentro da legenda: quais candidaturas são consideradas prioritárias para o partido?
A distribuição do fundo eleitoral é uma decisão estratégica das direções partidárias e das instâncias responsáveis pela campanha. Entretanto, quando a diferença entre os recursos destinados aos candidatos é tão grande, naturalmente aumenta a insatisfação entre aqueles que disputam uma vaga na Câmara Legislativa.
Milhões concentrados e uma chapa em segundo plano
Somando apenas os recursos recebidos por Ronaldo Fonseca, Carol Fleury e Rogério Morro da Cruz, chega-se a R$ 6,055 milhões.
O contraste fica ainda mais evidente quando se compara esse volume com os valores destinados a diversos candidatos da chapa proporcional.
Para quem disputa uma eleição proporcional, em que estrutura de campanha, presença territorial, produção de conteúdo e publicidade são fundamentais, receber R$ 20 mil ou R$ 30 mil pode representar uma diferença decisiva em relação a candidaturas que contam com centenas de milhares de reais.
O cenário alimenta uma percepção entre candidatos de que nem todos estão sendo tratados como prioridade dentro da própria chapa.
E a pergunta que começa a circular nos bastidores é simples:
Se o partido recebeu milhões para financiar suas candidaturas, por que alguns candidatos têm acesso a centenas de milhares de reais enquanto outros recebem apenas uma pequena fração — ou simplesmente nada?
A resposta deverá aparecer na evolução da prestação de contas e, principalmente, no resultado das urnas.
Os dados citados nesta reportagem têm como base informações de prestação de contas eleitoral. Valores e vínculos contratuais devem ser conferidos nas bases oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a existência de contratos ou relações profissionais não implica, por si só, qualquer irregularidade.





