Voto de Gilmar Mendes propõe transição de 18 meses para a nova regra de inelegibilidade; julgamento ainda não terminou, mas cenário já mexe com o tabuleiro político do DF**
A disputa eleitoral de 2026 acaba de ganhar um ingrediente daqueles que fazem o meio político parar para fazer conta.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (11) pela adoção de uma regra de transição de 18 meses para a aplicação da mudança na contagem do prazo de inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa.
Traduzindo do juridiquês para o idioma da política: dependendo do resultado final do julgamento, nomes que hoje estão sob o peso da inelegibilidade podem voltar a respirar eleitoralmente.
E entre eles está um personagem conhecido — e ainda bastante ativo no tabuleiro político do Distrito Federal: **José Roberto Arruda**.
Oito anos, mas a conta pode mudar
A discussão está na ADI 7881, que questiona a validade da Lei Complementar 219/2025.
A legislação mudou o ponto de partida para a contagem dos oito anos de inelegibilidade. Pela nova regra, o prazo começa a ser contado a partir da condenação, e não do início do cumprimento da pena.
Parece detalhe técnico.
Não é.
Em política, a diferença entre uma data e outra pode significar uma eleição inteira.
É justamente aí que o voto de Gilmar Mendes ganha peso. O ministro apontou problemas na tramitação da mudança legislativa, mas defendeu uma **transição de 18 meses**, em vez de simplesmente produzir um efeito imediato.
Na prática, a proposta abre uma janela que interessa diretamente a políticos que aguardam uma definição sobre suas condições eleitorais.
Arruda novamente no jogo?
No Distrito Federal, o nome que naturalmente entra no radar é o de José Roberto Arruda.
O ex-governador já está no centro das articulações políticas para 2026 e, caso a interpretação defendida por Gilmar prevaleça e alcance sua situação jurídica, o cenário eleitoral poderá mudar de maneira significativa.
Não significa que Arruda esteja automaticamente liberado para disputar.
O julgamento ainda não acabou.
Mas também seria ingenuidade política tratar o voto como uma mera nota de rodapé jurídica.
Arruda conhece o jogo eleitoral, tem capital político acumulado e, sobretudo, continua sendo um nome capaz de alterar alianças, candidaturas e estratégias no DF.
Cármen Lúcia joga água fria
A relatora da ação, ministra Cármen Lúcia, adotou posição mais dura.
Para ela, a mudança promovida pela nova legislação representa um retrocesso e pode contrariar princípios relacionados à moralidade pública.
A ministra também apontou problemas na tramitação do texto no Congresso Nacional. Luiz Fux acompanhou a relatora.
Ou seja: no STF, a conta ainda está longe de fechada.
Dino aperta o botão de pausa
Quando o assunto começou a ganhar contornos ainda mais relevantes, Flávio Dino pediu destaque no julgamento virtual.
Com isso, a discussão deixa o plenário virtual e deverá ser levada para julgamento presencial.
E é aí que mora a parte mais interessante para quem acompanha política.
Enquanto os ministros discutem datas, princípios constitucionais e tramitação legislativa, os políticos fazem o que sabem fazer melhor: contas eleitorais.
O tabuleiro de 2026 pode mudar
Uma eventual decisão favorável à aplicação da nova contagem poderá mexer diretamente com o cenário eleitoral brasileiro e, particularmente, com o Distrito Federal.
Para Arruda, a discussão não é acadêmica.
É eleitoral.
Se a tese defendida por Gilmar Mendes prevalecer e produzir efeitos sobre sua situação, o ex-governador poderá recuperar espaço em uma disputa que já começou a movimentar partidos, alianças e pré-candidaturas.
Por enquanto, não há decisão definitiva.
Mas uma coisa já ficou evidente: o nome de Arruda voltou a aparecer, mais uma vez, na mesa de apostas de 2026.
E, em Brasília, quando Arruda volta para a mesa, muita gente começa a refazer as contas.
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