DE COADJUVANTE A REALIDADE: CURY DISPARA, AVANTE CRESCE E COMEÇA A MEXER NA POLARIZAÇÃO ENTRE LULA E FLÁVIO

Presidenciável do Avante salta de cerca de 2% para até 11% e começa a romper a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

A eleição presidencial de 2026 começa a ganhar um novo componente — e ele atende pelo nome de Augusto Cury. O pré-candidato do Avante deixou a faixa dos 2% registrada em levantamentos anteriores e passou a aparecer na casa dos dois dígitos em diferentes pesquisas nacionais, consolidando-se como uma terceira força capaz de alterar a dinâmica da disputa.

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Na Quaest, divulgada nesta semana, Cury chegou a 10% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 21%. No levantamento BTG/Nexus, o candidato do Avante alcançou 11%. Já na Futura/Apex, registrou 9,9%.

Mais do que o número absoluto, o que chama atenção é a velocidade da ascensão.

Em pouco tempo, Cury saiu de uma posição praticamente residual para disputar o espaço de terceira força nacional. O movimento coloca o Avante diante de uma oportunidade inédita: deixar de ser apenas um partido de composição e assumir protagonismo em uma eleição marcada pela rejeição à polarização.

O Avante pode ser o elemento novo da eleição

A candidatura de Augusto Cury tenta ocupar justamente o espaço que historicamente fica espremido entre os dois grandes polos políticos.

De um lado, o lulismo. Do outro, o bolsonarismo. No meio, existe um eleitorado que não necessariamente se identifica com nenhum dos dois campos e que pode estar procurando uma alternativa.

É nesse espaço que o Avante pretende avançar.

A candidatura de Cury aposta em uma agenda de despolarização, procurando dialogar com o eleitor que deseja mudança, mas não quer aderir à lógica permanente de confronto entre esquerda e direita.

O crescimento nas pesquisas sugere que esse espaço existe — e pode ser maior do que inicialmente imaginado.

O eleitor independente pode decidir a eleição

A principal aposta do Avante está no eleitor independente e nos milhões de brasileiros que ainda não definiram seu voto.

Esse eleitorado pode ser decisivo na reta final da campanha. São pessoas que não querem necessariamente escolher entre projetos políticos já conhecidos e que podem encontrar em Cury uma alternativa menos vinculada à disputa ideológica tradicional.

O desafio agora é transformar intenção de voto em voto consolidado.

Se o Avante conseguir ampliar sua presença nacional, estruturar palanques competitivos nos estados e transformar o crescimento de Cury em uma onda eleitoral, o partido poderá sair da condição de coadjuvante para ocupar uma posição estratégica no jogo presidencial.

No DF, Avante aposta em Marley Mendonça

No Distrito Federal, o projeto nacional de Cury encontra um dos seus principais pontos de apoio.

O Avante tem como candidato ao Senado o advogado Marley Mendonça, que também vem pontuando nas pesquisas e trabalha para transformar o crescimento nacional de Cury em força eleitoral no DF.

 

 

“O eleitor está mostrando que quer uma alternativa. O crescimento do Cury demonstra que existe uma parcela expressiva da população cansada dessa guerra política permanente. Ele consegue conversar com quem quer mudança, mas não quer escolher entre extremos”, afirmou Marley Mendonça.

A estratégia é clara: conectar a candidatura presidencial ao projeto local e apresentar o Avante como uma alternativa política completa, com nomes competitivos para a Presidência, Senado e demais cargos.

Gim Argello apostou antes

Um dos primeiros dirigentes a apostar no potencial político de Augusto Cury foi o ex-senador e presidente do Avante-DF, Gim Argello.

Em 30 de maio de 2026, Gim recebeu Cury em Brasília e iniciou uma aproximação que posteriormente ganhou dimensão política nacional.

Agora, com Cury alcançando os dois dígitos em pesquisas, aquela aposta começa a ganhar outro significado.

 

“Quando recebemos o Cury em Brasília, já enxergávamos que havia algo diferente naquela candidatura. Hoje as pesquisas mostram que aquela percepção estava correta. O Brasil está procurando uma alternativa e o Cury está ocupando esse espaço”, avaliou Gim Argello.

A movimentação também reforça o peso político do Avante-DF na construção da candidatura nacional.

Diego: “O cenário mudou”

O primeiro suplente de senador, Diego Marques, também avalia que a ascensão de Cury representa uma mudança importante no cenário eleitoral.

“Quando um candidato sai de aproximadamente 2% e chega aos dois dígitos em diferentes pesquisas, não dá mais para tratar isso como um movimento isolado. O cenário mudou e Cury passou a ser uma candidatura que precisa ser levada a sério”, afirmou Diego.

A terceira força que pode virar fator decisivo

Cury ainda está distante dos dois primeiros colocados, e qualquer previsão de ultrapassagem neste momento seria prematura.

Mas existe um dado político que não pode ser ignorado: o crescimento aconteceu justamente quando a eleição ainda está aberta e uma parcela significativa do eleitorado continua sem uma escolha definitiva.

É isso que transforma o Avante em uma peça potencialmente estratégica.

Se Cury continuar crescendo, o partido poderá exercer um papel muito maior do que simplesmente lançar uma candidatura presidencial. Poderá ser o diferencial de uma eleição que até pouco tempo parecia restrita à polarização entre Lula e o campo bolsonarista.

A pergunta agora não é mais se Augusto Cury conseguiu entrar no jogo.

Ele já entrou.

A questão é até onde o Avante consegue levar esse movimento — e quanto a ascensão de Cury poderá mudar a eleição de 2026.

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