
Enquanto candidatos a deputado distrital e federal tentam colocar suas campanhas nas ruas com recursos próprios, o PSD no Distrito Federal vive um clima de crescente insatisfação interna após a concentração milionária de recursos eleitorais em um grupo restrito de candidatos.
Segundo informações repassadas por fonte do portal e dados que podem ser verificados no sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral, a Executiva Nacional do PSD teria destinado aproximadamente R$ 11.255.000 milhões para candidatos no Distrito Federal.
O que chama atenção é a forma como os recursos teriam sido distribuídos.
De acordo com os valores informados, a maior parte do montante ficou concentrada em apenas 11 candidatos, enquanto dezenas de candidatos a deputado distrital e federal estariam, segundo relatos obtidos pelo portal, praticamente sem condições financeiras de desenvolver suas campanhas.
A distribuição informada seria a seguinte:
- Candidato ao Governo do Distrito Federal: R$ 3,010 milhões;
- Senador Ronaldo Fonseca: R$ 1,5 milhão;
- Primeira suplente Eunice Santos: R$ 2 milhões;
- Carol Fleury: R$ 2.290 milhões;
- Delegado Nugoli: R$ 200 mil;
- Júlio Isidro: R$ 100 mil;
- Sargento Eliomar: R$ 150 mil;
- Abadia: R$ 500 mil;
- Rogério Morro da Cruz: R$ 800 mil; apoiador da Candidata ao GDF Celina Leão (PP) concorrente de Arruda ao GDF
- Simone Magalhães: R$ 155 mil;
- Jabá: R$ 50 mil.
- Em caixa R$ 500.000,00
Enquanto alguns receberam centenas de milhares — e até milhões de reais —, outros candidatos afirmam estar literalmente a ver navios.
“SEM RECURSO, NÃO HÁ CAMPANHA”
O clima de revolta teria aumentado durante reunião realizada no dia 31 de agosto comandada pelo vice-presidente (presidente) do partido Lucas Kontoyanis.
Segundo relatos de participantes e fontes ouvidas pelo portal, candidatos que demonstraram insatisfação com a distribuição dos recursos teriam recebido uma resposta dura da direção partidária.
A mensagem, segundo os relatos, teria sido direta: quem não estivesse satisfeito poderia renunciar à candidatura, pois o partido teria outros nomes para substituí-los dentro do prazo eleitoral ou seja os atuais candidatos da legenda são descartaveis.
A declaração, se confirmada, expõe o tamanho da crise interna instalada na legenda.
Afinal, candidatos que passaram meses organizando pré-campanhas, mobilizando apoiadores e investindo recursos próprios agora enfrentam a possibilidade de ver todo esse esforço simplesmente desaparecer por falta de dinheiro para colocar a campanha nas ruas.
BANDEIRAS E PANFLETOS PODEM VIRAR PREJUÍZO
Alguns candidatos procuraram o portal para relatar a situação.
Segundo eles, bandeiras, panfletos e outros materiais gráficos já foram confeccionados ou contratados com a expectativa de que os recursos partidários fossem disponibilizados.
Agora, sem dinheiro para distribuição, equipes, mobilização e estrutura de campanha, parte desse material pode simplesmente ficar parada.
Ou seja: material produzido, dinheiro gasto e campanha sem condições de sair do papel.
A situação gera um questionamento inevitável dentro da própria legenda: qual foi o critério utilizado para definir quem receberia milhões e quem ficaria praticamente sem nada?
CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS GERA REVOLTA
A insatisfação não se limita apenas à falta de recursos.
Candidatos questionam a concentração de valores expressivos em poucos nomes enquanto outros integrantes das nominatas — especialmente candidatos a deputado distrital e federal — precisam recorrer a recursos próprios, voluntários e improvisações para tentar sobreviver eleitoralmente.
Na prática, a divisão de recursos pode definir quem terá estrutura para disputar a eleição e quem entrará na campanha apenas para compor a chapa.
E é justamente esse o sentimento que começa a tomar conta de parte dos candidatos do PSD no Distrito Federal: o de que alguns receberam combustível para disputar a eleição, enquanto outros foram deixados no acostamento.
O episódio amplia a pressão sobre a direção partidária e pode provocar novos desdobramentos nos próximos dias.
O espaço permanece aberto para que a direção do PSD Nacional e do PSD-DF apresente sua versão sobre os critérios utilizados na distribuição dos recursos eleitorais e se manifeste sobre os relatos atribuídos à reunião realizada no dia 31 de agosto.

