
Em Bras-Ilha, tudo pode acontecer. Depende das nuvens: ora nubladas, ora assanhadas, ora ensolaradas. Mas, ao apagar das luzes, tudo se apaga, tudo se esquece e, no fim, tudo ou nada acontece.
Dizem que política não é lugar para amadores. Em Bras-Ilha, então, é praticamente um parque temático só que sem mapa, sem fila organizada e com atores que improvisam o tempo todo. O clima esquenta, os bastidores fervem, mas na frente das câmeras surgem personagens com aquela serenidade de quem acabou de sair de um spa… ou de um roteiro mal ensaiado.
Na capital da fantasia, tudo é possível: versões são recriadas, histórias ganham retoques e a realidade, coitada, vira figurante. Por aqui, a memória é seletiva e a coerência, opcional. Vale mais a narrativa bem contada do que o fato mal resolvido.
No cerrado, onde até leão aprende a rugir baixo para não chamar atenção, há quem desfile com uma coragem quase poética afinal, não viu, não sabe, mas explica com convicção. E explica bonito. Porque em Bras-Ilha, o importante não é o que aconteceu, mas como se conta.
Se fosse um conto infantil, teríamos narizes crescendo a cada discurso mais criativo. Mas não: por algum milagre da ficção política, os narizes permanecem intactos o que talvez evite um conflito urbano sério. Imagine só: uma guerra de narizes gigantes cruzando a cidade, parecendo espadas desajeitadas… ainda bem que, por aqui, até a mentira respeita o limite estético.
No fim das contas, Bras-Ilha segue firme: um lugar onde a fantasia não só existe ela governa, vota, aprova e, ao final, diz que foi só mais uma ilusão sem importância.
E aí, qual é a sua versão sobre Bras-Ilha?

