CAFÉ COM PIMENTA: Uma bomba chamada MDB -DF

Renata Schuster Poli – Jornalista, pós-graduada em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, CEO do Grupo Vou Lá de Comunicação e analista política com mais de vinte anos de experiência. Atuou na Câmara dos Deputados, na Vice-Governadoria e na Governadoria do Governo do Distrito Federal, além da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Tem coisa fervendo e não é pouca.

O MDB atravessa um momento que, nos bastidores, já é tratado como um campo minado político. A cada nova manchete, a sensação é de que o desgaste deixou de ser pontual e passou a ser rotina. E aí fica a pergunta que não quer calar: quem está acendendo esse pavio?

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Nem o líder do governo, Hermeto, escapou. Nos últimos dias, o volume de notícias negativas aumentou e chamou atenção. O próprio parlamentar afirma que um processo antigo, parado desde 2016, voltou à cena justamente em ano eleitoral. Coincidência? Pode ser. Mas, em política, até coincidência demais começa a parecer estratégia.

E não é de hoje.

Nos últimos três anos, nomes como Dra. Jane, Daniel Donizet e Iolando também enfrentaram momentos de exposição e desgaste. Nos bastidores, o termo é conhecido: “fogo amigo”. Aquele que não vem da oposição, mas de dentro de casa — silencioso, constante e, muitas vezes, mais eficiente.

No caso de Iolando, aliados avaliam que episódios envolvendo assessores acabaram respingando diretamente em seu mandato. Mais do que fatos isolados, o que se comenta é o efeito político: um freio de arrumação em um crescimento que já ultrapassa, e muito, os limites de Brazlândia.

Hermeto, por sua vez, vive seu próprio teste de resistência. O ressurgimento de um tema antigo, segundo ele mesmo aponta, levanta dúvidas inevitáveis sobre o momento em que isso vem à tona. Em ano eleitoral, nada é ingênuo — e quase tudo tem endereço.

A política não é um jogo para amadores. Disputa por espaço, vaidade, sobrevivência eleitoral — tudo isso entra na conta. E, com 2026 no horizonte, o clima tende a esquentar ainda mais. O problema é quando a temperatura sobe dentro da própria cozinha.

Há também quem enxergue movimentos externos. Adversários atentos, antecipando o jogo, tentando enfraquecer quem pode crescer. Faz parte. Mas o que chama atenção, neste caso, é a intensidade do desgaste interno — ou, no mínimo, a percepção dele.

A saída de Dra. Jane do partido adiciona mais pimenta a essa história. Depois que deixou a legenda, o barulho diminuiu. Coincidência ou sintoma? Fica a dúvida no ar — e ela diz muito.

Daniel Donizet, por outro lado, segue em evidência. Ora federal, ora distrital, vai se mantendo competitivo nos dois cenários. E, como manda a regra não escrita da política: quem aparece demais, vira alvo.

No MDB, ninguém está completamente confortável. E talvez nem devesse.

Porque, quando o fogo vem de dentro, ele não avisa, não escolhe hora — e dificilmente erra o alvo.

Café quente, língua afiada e bastidor sem filtro.

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