
O ex-secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, deixou de ser solução e passou a ser problema. Nos bastidores, o Republicanos já trabalha com a hipótese de rifar seu nome da chapa de Celina Leão (PP) em busca de alguém que realmente agregue voto.
E quando se fala em alternativa, um nome começa a ganhar corpo: Fred Linhares. Não por acaso.
O recado é claro: o grupo do ex-governador Ibaneis Rocha está perdendo força — e rápido. O que antes era controle virou desgaste. O que era comando virou dúvida. E o antigo “homem forte” agora parece caminhar para uma rotina bem menos poderosa: entre petições jurídicas e a garagem cheia.
Nominatas ou desespero escancarado?

O que se vê hoje no DF não é articulação política — é improviso. Partidos estão montando nominatas no grito, no susto e, principalmente, sem critério.
Vale tudo para preencher vaga. Literalmente.
O nível de desorganização é tão alto que até nome envolvido em acusação de extorsão já foi acolhido como “liderança”. Um personagem do Gama, que se vende como força política local, deve em breve trocar o discurso pela explicação formal à Polícia Civil do Distrito Federal.
O motivo? Uma tentativa de extorsão contra um deputado distrital — caso que, ao que tudo indica, não só aconteceu como também foi devidamente registrado. E pior: documentado.
Ibaneis que abra o olho — ou já é tarde?

Nos corredores do poder, o clima não é só de expectativa. É de torcida — e nem disfarçam mais.
Aliados e ex-aliados já fazem “bolão” para saber se Ibaneis Rocha vai ou não encarar a CPI do Crime Organizado no Senado. Parte aposta na fuga jurídica via habeas corpus. Outra parte quer assistir de camarote ao depoimento.
Porque o que está em jogo não é só presença ou ausência. É o que pode vir à tona, especialmente sobre as operações envolvendo o BRB e o Banco Master.
Se falar, complica.
Se não falar, também.
Debandada: cada um por si
A política tem uma regra simples: ninguém afunda abraçado.
O telefone de Ibaneis Rocha esfriou. E isso, em Brasília, diz tudo. Quem antes bajulava, hoje calcula. Quem defendia, agora se distancia.
Ex-aliados já estão reposicionando suas peças — alguns com pressa, outros com discrição, mas todos com o mesmo objetivo: sobreviver.
Em Brasília, lealdade dura até onde o risco começa. E ano eleitoral não perdoa currículo manchado.
Se quiser continuar no jogo, Ibaneis vai precisar de mais do que estratégia. Vai precisar de sorte — e de memória curta do eleitor.
Porque, do jeito que está, o tabuleiro já começou a virar. E ninguém quer estar do lado errado quando a partida acabar.
Celina herdou o problema — e o cronômetro já começou

A atual governadora, Celina Leão (PP), não recebeu apenas a faixa de chefe do Executivo. Recebeu, na prática, uma bomba armada.
Problemas nos cofres públicos, um BRB cercado de questionamentos e cobranças por transparência, denúncias pipocando e, talvez o mais grave, uma equipe que ainda não entendeu — ou finge não entender — quem está no comando.
Há setores que operam como se nada tivesse mudado.
Mas vai mudar.
Pelo andar da carruagem, o Diário Oficial deve começar a falar alto — e rápido. E quando as exonerações vierem, a pergunta será inevitável: os “rebeldes” vão correr para qual lado?
Vão buscar abrigo em outro projeto de poder ou tentar sobreviver no governo, mesmo que isso signifique virar as costas de vez para Ibaneis Rocha?
Uma coisa é certa: o jogo virou. E, desta vez, não tem espaço para indecisos.

