MDB joga “9 por 1” e expõe disputa interna por vaga na Câmara

Renata Schuster Poli – Jornalista, pós-graduada em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, CEO do Grupo Vou Lá de Comunicação e analista política com mais de vinte anos de experiência. Atuou na Câmara dos Deputados, na Vice-Governadoria e na Governadoria do Governo do Distrito Federal, além da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Ibaneis reorganizou o partido em 2023, quando retirou Rafael Prudente da presidência do MDB e impôs Wellington Luiz no comando do partido e da Câmara Legislativa, no centro de um jogo político arriscado.

Nos bastidores do MDB do Distrito Federal, o cenário para 2026 está longe de ser pacífico. Ao contrário: o que se desenha é uma estratégia clara de concentração de forças em torno de um único projeto político — ainda que isso custe o enfraquecimento de nomes históricos da legenda.

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O epicentro dessa movimentação atende pelo nome de Ibaneis Rocha. Com planos de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, o governador vem redesenhando o partido por dentro. Uma das decisões mais emblemáticas foi a troca de comando no MDB do DF.

A troca que mudou o jogo

A substituição de Rafael Prudente por Wellington Luiz na presidência do MDB local, em 2023, não foi apenas administrativa — foi um movimento político cirúrgico.

Ao retirar Prudente do comando da legenda e entregar a estrutura partidária a Wellington Luiz, aliado direto e também presidente da Câmara Legislativa, Ibaneis passou a exercer um controle mais alinhado sobre o partido, reduzindo a autonomia de um dos seus principais concorrentes internos.

Na prática, a mudança reposicionou forças e isolou politicamente Prudente dentro da própria sigla.

Cortina de fumaça e enfraquecimento gradual

Cresce, nesse contexto, a percepção de que uma eventual saída de Prudente da vida pública não seria obra do acaso, mas resultado de um processo contínuo de esvaziamento político — silencioso, porém eficaz.

Mesmo com densidade eleitoral relevante, estimada em cerca de 120 mil votos, Prudente passou de protagonista a peça vulnerável em um tabuleiro controlado por outro jogador.

Matemática eleitoral e disputa interna

Os números reforçam a tensão. Pelas projeções baseadas nas últimas eleições, o MDB dificilmente conseguirá eleger dois deputados federais pelo DF. Isso transforma a chapa em uma arena competitiva e desigual.

A fala recorrente de Ibaneis — “cada um com seus problemas” — deixa de ser apenas retórica e passa a refletir uma diretriz prática: não haverá proteção interna.

Entre os nomes que devem disputar espaço estão Elvia Paranaguá, Zé Humberto Pires, Sandra Farah e Marcela Passamani. Todos entram no jogo sabendo que há poucas vagas reais — e um favorito evidente.

O fator Ibaneis

Nos bastidores, o próprio Ibaneis já deixou claro: se for candidato, será o “puxador de votos” da chapa. E é exatamente isso que torna o cenário ainda mais delicado.

Em sistemas proporcionais, um puxador forte não apenas se elege — ele redefine quem mais consegue chegar junto. E, nesse caso, pode também impedir que outros avancem.

Estratégia de sobrevivência

A leitura interna é direta: Ibaneis joga para garantir seu futuro político, mesmo que isso implique sacrificar aliados. A lógica é pragmática — e pouco sentimental.

Se alguém sair derrotado desse processo, dificilmente será quem controla a estrutura partidária.

Conclusão

O MDB do Distrito Federal entra em 2026 sob forte tensão interna: uma chapa numerosa, espaço limitado e controle concentrado.

No jogo do “9 por 1”, a disputa não é apenas contra adversários externos — é, sobretudo, interna.

E, com as regras sendo definidas por quem está no comando, o resultado pode já estar encaminhado.

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