O cenário político do Distrito Federal tem revelado sinais cada vez mais claros de enfraquecimento do governador Ibaneis Rocha e da vice-governadora Celina Leão dentro do próprio campo aliado. A possível decisão do Partido Liberal (PL) de apoiar as pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado foi interpretada nos bastidores como um duro recado ao Palácio do Buriti.
A movimentação colocou em xeque a articulação política construída pelo Governo do Distrito Federal e acendeu o alerta sobre o isolamento crescente da dupla que comanda o Executivo local. Aliados reconhecem, reservadamente, que a base já não demonstra a mesma coesão de outros momentos.
O desgaste se intensificou após o afastamento de parlamentares que integravam o campo governista. O distrital Rogério Morro da Cruz, atualmente no Partido Renovação Democrática (PRD), já teria deixado a base. Manzoni, do PL, também se distanciou. A expectativa é de que novos desembarques ocorram nos próximos dias, especialmente em meio à polêmica votação da venda de imóveis públicos para fortalecer o caixa do GDF e dar suporte ao Banco de Brasília (BRB).
Outro fato que chamou atenção foi o evento “Record nas Cidades”. A presença do ex-governador e pré-candidato ao GDF José Roberto Arruda ao lado do deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL) reforçou a leitura de que o PL pode estar redesenhando sua estratégia no Distrito Federal. O gesto foi visto como simbólico e sinalizou que novas composições políticas estão em construção.
No meio político, a avaliação predominante é de que Ibaneis Rocha e Celina Leão enfrentam um dos momentos mais delicados de suas trajetórias à frente do Executivo. O enfraquecimento da base, somado à reconfiguração das alianças partidárias, pode alterar significativamente o tabuleiro eleitoral e antecipar disputas que antes estavam restritas aos bastidores.


