A Câmara Legislativa do Distrito Federal protagonizou mais um capítulo constrangedor de submissão ao Palácio do Buriti. Atendendo a uma determinação atribuída diretamente ao governador Ibaneis Rocha (MDB), uma assessora de deputado distrital foi exonerada após a empresa de sua família publicar matéria crítica sobre os graves problemas enfrentados pela Saúde pública no DF.
O episódio escancara o uso do poder político como instrumento de intimidação e retaliação, num momento em que o governador, enfrenta crescente desgaste político e estão envolvidos em polêmicas de grande repercussão, como o caso que envolve o BRB e o banco Master. Em vez de respostas concretas à população, a opção do governo tem sido calar vozes incômodas.
Segundo relatos de bastidores, a ordem para a exoneração partiu do próprio Ibaneis Rocha, em um gesto interpretado como demonstração de desespero diante do acúmulo de crises que se intensificaram nos últimos meses. O parlamentar ao qual a assessora estava vinculada ainda teria tentado argumentar e evitar o desligamento, destacando que a servidora não cometeu qualquer irregularidade funcional. A tentativa foi em vão. O governador “bateu o martelo” e exigiu a exoneração imediata.
A atitude levanta sérias dúvidas sobre a autonomia do Legislativo local e reforça a percepção de que a Câmara Legislativa tem atuado mais como extensão do Executivo do que como poder independente. Quando a crítica jornalística, ainda que indireta, passa a ser tratada como motivo para punição política, o sinal é claro: o governo não tolera questionamentos.
Mais grave ainda é o recado enviado à sociedade. Em vez de enfrentar os problemas crônicos da Saúde — alvo da matéria que teria motivado a retaliação — o GDF prefere atacar quem ousa expô-los. Trata-se de uma inversão completa de prioridades e de um precedente perigoso para a democracia no Distrito Federal.
O silêncio de muitos deputados diante do caso apenas reforça a sensação de que, para parte da Câmara Legislativa, manter-se alinhado aos interesses do governador é mais importante do que defender a liberdade de expressão, a crítica e o interesse público.


