CRÔNICA: NÃO VOTO EM LADRÃO

CRÔNICA: NÃO VOTO EM LADRÃO
José Carlos Gentilli – Escritor, Membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa

O Império Romano dominava, também, a Judeia, onde os juízes, senhores do
Direito, exerciam suas atividades no Sinédrio, aplicando as penalidades atinentes
aos atos sobre a vida e a morte.


Era a religiosidade judaica em sua plenitude vivencial.
Cumulativamente, o Governador romano Pôncio Pilatos, era a última instância de
natureza mandamental política, pois como figura dominante, determinava em
última instância.


Nesta época, dois famosos ladrões, que assaltavam os viandantes pelos caminhos da
Judeia, foram presos e condenados à morte, devendo serem crucificados no
Calvário (Cólgota), dito gulgatâ em aramaico.


As crucificações eram destinadas aos ladrões e aos escravos.
Embora, não se possa comprovar documentalmente, Caifás, célebre juiz do
Sinédrio, quando do julgamento dos célebres ladrões Dimas e Gestas, que durante
anos a fio aterrorizaram a Judéia, ao ser interpelado pelo primeiro, dito mais tarde
pela Igreja, como O BOM LADRÃO, teria acompanhado os demais votos dos
juízes, afirmando: NÃO VOTO EM LADRÃO.


A condenação, à época, foi unânime, fato apoiado pela sociedade judaica, que
jamais prestigiou a ladroíce, adotando medidas cabíveis.
Estabelecia, entre os árabes, também, o Alcorão:


“Quanto ao ladrão e à ladra, decepai-lhes a mão, como castigo de tudo quanto
tenham cometido; é um exemplo, que emana de Allah, porque Allah é Poderoso,
Prudentíssimo.”

Ladrão promana do latim arcaico, que significava estar “ao lado” da autoridade,
do chefe, do Príncipe, e, posteriormente, soldado mercenário e salteador. Mais
tarde, estendeu-se às pessoas que roubam, que furtam, que expropriam bens de
terceiros, de forma criminosa.
A ladroeira no Brasil é algo atávico, institucional, nefasto, levando-nos ao poema
de Carlos Drummond de Andrade.
E agora, José?…

Da Redacao

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