ELEIÇÕES 2022 | O jogo sujo da desinformação e das fake news já começou

ELEIÇÕES 2022 | O jogo sujo da desinformação e das fake news já começou

José Fernando Vilela/Expressão Brasiliense

Apesar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e plataformas digitais firmarem acordo na terça (15) para combater a desinformação e a propagação de fakes news (notícias falsas) nas eleições deste ano, o jogo sujo e rasteiro da guerra digital nas redes sociais e em aplicativos de conversas em busca de construir narrativas que manipulem a opinião pública já começou.

Levantamentos mais recentes, divulgados pela OCDE e Hootsuite, apontam que nós brasileiros somos a quinta população online no mundo e a terceira em consumo diário de internet. No Brasil, em média cada pessoa gasta cerca de 4h por dia acessando dispositivos eletrônicos conectados à internet.

Com isso, para os estrategistas e marqueteiros eleitorais a melhor maneira de se comunicar com o eleitor neste ano será por meio dos computadores, celulares, smartphones e tablets. É aí que entra a militância digital e seus guerrilheiros.

Um exemplo recente desse tipo de ação criminosa foi a divulgação de que a retirada das tropas russas da fronteira da Ucrânia foi motivada pela ida do presidente brasileiro Jair Bolsonaro a Moscou. Havia o temor de que a Rússia invadisse o país vizinho e as nações que integram a Otan (acordo militar entre países do Ocidente) estavam em alerta para um eventual confronto.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou ainda na terça, antes mesmo de Bolsonaro desembarcar em terras russas, que o país apenas estava executando manobras militares próximo a Ucrânia e que não tinha a intenção de guerrear. Contudo, mesmo com as declarações do chefe russo, os bolsonaristas resolveram criar o fato de que foi o ‘capitão’ que evitou a ‘3ª guerra mundial’.

Para propagar a fake news, até mesmo cards (ou banners digitais) com logotipos de veículos reconhecidos internacionalmente com a informação de que Bolsonaro tinha falado com Putin foram divulgados nas redes sociais e aplicativos de conversa por ex-ministros e aliados do presidente.

Os bolsonaristas chegaram ao cúmulo de editar um vídeo onde Vladimir Putin dizia que falou com Jair Bolsonaro durante o voo por telefone e que sua alma tinha sido tocada pela mensagem do presidente brasileiro. Infelizmente, tem gente tapada acreditando nisso até agora.

Para não ficar só no exemplo dos bolsonaristas, ainda na terça, aqui no DF começou a circular nos grupos de aplicativos a informação de uma pesquisa sobre a corrida eleitoral para o Buriti em que aponta que há uma disputa acirrada entre o atual governador, Ibaneis Rocha, do MDB, e o senador Reguffe, do Podemos.

O tal levantamento gerou suspeita nos bastidores por ter sido realizado por um instituto desconhecido, sequer foi registrado junto à Justiça Eleitoral e por utilizar uma metodologia que está fora dos padrões estatísticos. Ou seja, não tem credibilidade. Mas, para quem está na guerra, o que vale é o barulho e a desconstrução do oponente.

É perceptível aos olhos que nesse jogo sujo da desinformação e das notícias falsas, não importa que o eleitor seja ludibriado, o que importa mesmo é que ele forme opinião contrária ao adversário e vote conforme o interesse dos falsos paladinos.

Portanto, o correto é ficar mais atento ao tipo de informação e notícia que se consome. Vale a pena checar se aquele perfil, blog ou site de notícia tem credibilidade e atua conforme os preceitos do bom jornalismo.

Infelizmente, a internet deu voz a muitos oportunistas e achacadores que se uniram a grupos políticos liderados por verdadeiros gângsteres em busca de obter vantagens ou negócios obscuros.

Oxalá o eleitor saiba separar o joio do trigo na hora de votar em outubro e não se deixe levar por fake news.

Fotos: Reprodução/Google Imagens

Da Redacao

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