APOCALIPSE DA HUMANIDADE

APOCALIPSE DA HUMANIDADE
ALBRECHT DURER – 1497 – OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE.

ALBRECHT DURER – 1497 – OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE.

Fragmentos de paz são hiatos na perenidade das guerras entre os povos, a envolver os processos  civilizatórios no orbe! Ela, é uma fantasia quimérica do medo da morte, apenas. 

Prevalente é a busca incessante pelo Poder, movida pela auri sacra fames, a erigir anômalos  comportamentos sociais, beligerantes, que visam a supremacia de uns contra os outros num processo  autofágico e irracional, para não dizer bestial. 

A eternidade é uma criação filosofal, metafórica, um mito telúrico com a roupagem de infinitude.  Verdadeira esteira onírica de sonhos e pensamentos vãos a emoldurar o universo da criação dos  

mundos celestiais, particulares no contexto das religiões, a criar deuses, santos e avatares numa  personificação, como fossem senhores da gnose e da Criação. 

Algo surreal, para não dizer do mundo dogmático, a proibir quaisquer reflexões, a feitio da criação  do limbo, verdadeira excrescência vivencial. 

Cada grupo deseja um Deus só para si, exclusivamente para sua falange… 

Chega a ser risível, senão hilária, a pretensão de domínio das greis humanas pela fixação de  elocubrações embasadas na miragem da inventividade e historicidade de grupos a serviço de interesse  vários, ideológicos, religiosos, mercadológicos. 

Eterna confluência entre limites ilimitados na visão bergsoniana, onde a normalidade é um  parâmetro existencial, descontínuo, uma verdadeira linha imaginária entre a eternidade do poder e a  sensatez efêmera do comportamento dos seres. 

Relembremos, didaticamente, que a ideação grega do apokalipsis apenas significa literalmente  uma descoberta ou seja, a revelação de algo muito importante. Etimologicamente, promana de “apo”  (tirado de) e “kaluma” (véu) a servir os cânones bíblicos como estratagema da existência de algo  divino, superior, secreto, inatingível para os gentios, que apenas servem a Deus ou a Mamon numa  dualidade limitada pela pequenez do imaginário humano. 

As religiões são arquétipos estruturados sob o manto divinatório de narrativas de visões  extrassensoriais, que procuram estabelecer carapaças protetivas de iluminação cósmica, inatingível, a  fixar princípios e imaginárias normas, movidas por deidades fictícias. 

Tudo aquilo que os neurônios produzem (dez por cento da caixa neuronal apenas) para as  criações humanas, permite, sucintamente, aflorar realidades verossímeis. O restante das cerebrações  são lançadas como integrantes do celestial, do imponderável, do imaginário, explicitadas como  inalcançável, creditando-se ao império inimaginável dos anjos, arcanjos, querubins e santos, a  conformar uma metamorfose ambulante descrita de forma genial na canção de Raul Seixas. 

Deus é uma criação da mente terráquea, telúrica! 

O nefelibata Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) – criador do limbo, insurgiu-se contra o asceta  Pelágio da Bretanha (360-420 d.C), que escreveu o livro DA NATUREZA, que pregava que os seres  humanos podiam ter uma vida sem pecado com seus “dons naturais”, ao seu talante e arbítrio. 

O pelagismo, propugnado pelo monge, negava o pecado original; pregava que a graça de Deus não  era essencial para a salvação e, finalmente, que o Homem tinha o poder do livre arbítrio. 

Quem conta um conto, aumenta um ponto!

Os escribas, a serviço dos senhores dos textos, teorizavam revelações, ditadas por avatares e  transmitidas por anjos a serviço catequético, de natureza religiosa. 

Livros sagrados guardam um linguajar simbólico, metafórico, como realidade fosse. 

No livro Apocalipse é narrado que a batalha final dos exércitos se dará na planície próxima da  Coluna de Megido, registro erroneamente descrito pelas infindáveis traduções greco-latinas como  Armagedom. Comprovadamente, uma falácia. 

Traz-se à baila narrativa, dita no Apocalipse (atribuída a João?): 

“Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus,  estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado  em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O  que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes,  a Filadélfia e a Laodiceia.” 

Todas estas cidades, hoje turcas, foram vinculadas ao Apocalipse: Éfeso (atual Selçuk), Smyrna  (Esmirna), Pérgamo (atual Bergama), Tiatira (Akhisar), Sardes, Filadélfia (atual Alasehir) e Laodiceia  (atualmente Eski- Hissar), que significa Castelo Velho. 

Eis os escribas e suas forjas monásticas a romantizar predições, induzindo gentios e crentes com  narrativas a serviço de canalizações religiosas, como o Limbo, o Purgatório e o mundo dos incréus. 

Ai de nós herdeiros destas platitudes históricas!!! 

Da Redacao

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