LEONEL DE MOURA BRIZOLA

José Carlos Gentilli – Escritor, Membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa

Ao homenagear o revolucionário e honesto político brasileiro – o gaúcho Leonel de Moura Brizola-, considerado pelo ex-Governador do Rio Grande do Sul, Coronel Ernesto Pombo Dorneles, à época, como o melhor e mais atuante Secretário de Viação e Obras do Estado, a Câmara Distrital do Distrito Federal outorgou-lhe o nome da Biblioteca Nacional de Brasília. Afigura-se-me uma incongruência memorialística, senão um disparate estapafúrdico, em detrimento nominal a ilustres literatos pioneiros da Capital da Esperança, tais como os escritores Murilo Moreira Veras (um dos criadores do Círculo Literário)  e Stella Alexandra Rodopoulos (invulgar escritora infantil), ambos acadêmicos da Academia de Letras de Brasília, dentre outros tantos que mereceriam nominar a Biblioteca de Brasília, arvorada com o epíteto de nacional, em confrontação  à  Real Biblioteca Nacional, trazida de Portugal, durante o período monárquico.

Mudanças erráticas do Poder! Algo inverossímil, sem dúvida, a classificação de Biblioteca Nacional de Brasília!  Assim, relembremos o teor do projeto da Lei nº 3.699 (10.11.2005), de autoria do ex-parlamentar Leonardo Prudente, ex-membro da Comissão dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, que renunciou ao mandato, face a Operação Caixa de Pandora, de celebérrima ressonância policialesca.

Isto é uma excrescência política de cunho ideológico, em detrimento da história de Brasília, vilipendiada por administradores de acanhada gestão funcional, sem que isto possa denigrir o nome de Leonel de Moura Brizola, porquanto jamais esteve vinculado ao nascedouro da Capital da nação e às lides da biblioteconomia.

Vejamos o estrupício à memória brasiliense:  LEI Nº 3.699, DE 10 DE NOVEMBRO DE 2005.

Art. 1º Fica o Complexo Cultural da República denominado “Complexo Cultural da República João Herculino”.

Art. 2º Fica a Biblioteca do Complexo Cultural da República denominada de “Biblioteca Leonel de Moura Brizola”.

Art. 3º Fica o Museu do Complexo Cultural da República denominado “Museu Honestino Guimarães”.

Leonel de Moura Brizola, homem ético e honesto, jamais aceitaria estas coisas…

Seu irmão Jesus Brizola (filho do segundo casamento de sua genitora Onívia Moura com José Gregório Estery) foi meu companheiro na Faculdade de Economia, época em que meu saudoso pai, Carlos Gentili, ex-caixeiro viajante, contava-nos que o jovem Leonel carregava malas para a rodoviária de Carazinho. Mais tarde, foi ascensorista da Galeria Cruzeiro, na rua da Praia, em Porto Alegre. Extraordinariamente diligente, inteligente e estudioso, tornou-se engenheiro civil, após a enfrentar as vicissitudes vivenciais, em decorrência do assassinato de seu genitor.

Um vencedor, sem dúvida! Casado com a irmã do Presidente João Belchior Marques Goulart, percorreu toda a gradação política nacional, vindo a ser o único governador a governar dois estados brasileiros, o da antiga Guanabara e o Estado do Rio Grande do Sul.

É o pioneiro nacional a repudiar a fraude eleitoral, investindo contra a PROCONSULT, empresa de engenharia informática, contratada pelo Tribunal Regional Eleitoral para a contagem de votos, que antecipadamente dava como eleito o candidato Moreira Franco, opositor de Leonel Brizola, registro que marcou época e demonstrou a vulnerabilidade das urnas eletrônicas, fato que se renova e inquieta a sociedade, cansada dos malfeitos nacionais.

Brizola e Darcy Ribeiro são os criadores dos Centros Integrados de Educação Pública – CIEPs, projeto educacional que tinha por base a frequência dos alunos em tempo integral na escola pública, permitindo alimentação, educação e esporte, realidade da qual o gaúcho viveu e conheceu em sua dura infância.

É uma lástima a política nacional, fruto do analfabetismo geral que alcança a sociedade tupiniquim.

Educa Brasil é o lema e a solução!

*José Carlos Gentili, jornalista.