Por Josiel Ferreira

A semana que passou trouxe algumas novidades para a política local, como por exemplo, a posse do Deputado Distrital Rafael Prudente ao cargo de governador, em exercício, durante as férias de Ibaneis Rocha e a licença de Paco Britto. Por quatro dias, Rafael Prudente realizou uma extensa agenda de visitas, entrega de medalhas, assinaturas de atos oficiais, visitas em obras e vários outros encontros importantes para um chefe de estado. Ou seja, aproveitou ao máximo o momento que lhe foi concedido. E para falar a verdade, o fez muito bem.

A solenidade de entrega da comenda – criada por decreto em 2003 – integrou as comemorações pelos 165 anos da instituição. Foto Acácio Pinheiro / Agência Brasília

Rafael, em seu papel de deputado distrital, já tem a rotina de não ficar parado em seu gabinete. A maior parte do tempo ele está nas ruas, falando com a população, visitando as suas bases, motivando e conquistando novos colaboradores – o que pode ser medido pelo aumento de sua popularidade nas pesquisas -, e, modestamente, tem divulgado e incentivado a filiação ao MDB-DF. Nas eleições de 2018 ele foi o quarto deputado distrital mais bem votado, alcançando 26.373 votos válidos, fruto de uma campanha bem planejada.

Porém, três anos depois, a população, calejada e sofrida com a gestão pública, está mais criteriosa nos processos políticos-eleitorais e, por consequência, nas escolhas de seus representantes, resultado de uma população muito mais politizada. Sendo assim, os quatro dias como governador em exercício trarão algum benefício eleitoral para Rafael Prudente? Óbvio que não! Mas com certeza trarão experiência, mesmo que breve, para o futuro do jovem e promissor político.

Anúncio foi feito pelo governador em exercício após entrega de escrituras em visita à cidade neste sábado (17). Na foto Reunião com moradores da QS20 Riacho Fundo 2. Foto Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

Rafael tem alguns dos dons e qualidades que a política precisa. É articulador, sensato, bom negociador, bom ouvinte – diga-se de passagem, uma característica de poucos no executivo e legislativo atual -, é um homem das ruas, pois fala e entende exatamente o que a população precisa e anseia, a julgar por suas propostas na CLDF, que impactaram positivamente boa parte da população distrital.

Vi durante a semana alguns comentários sobre as expectativas políticas de Rafael para as eleições de 2022: Deputado Distrital? Senador? Deputado Federal? Vice-governador? Não conversei com Rafael sobre o assunto, sendo assim, no papel de Estrategista Político e Cientista de Dados, só posso fazer as minhas análises com as evidências que tenho em mãos, ou seja, resolvi simular os possíveis cenários eleitorais para 2022, considerando a candidatura à reeleição de Ibaneis Rocha, estando ou não no MDB, assim com a de Rafael Prudente, no mesmo partido do atual governador.

Matematicamente falando, a permanência de ambos no MDB, não trará benefícios suficientes para uma campanha com “céu de brigadeiro”. Vale lembrar que, quem pensa na eleição distrital, sem considerar o cenário nacional, estará fadado ao fracasso. As chances do MDB nacional se unir a uma frente de centro-esquerda, numa possível candidatura de Lula, são enormes. Os melhores anos do MDB foram ao lado do PT, é fato. Assim como é fato que a convivência do MDB Nacional com o governo de Jair Bolsonaro, sempre foi, e será, um fracasso. Sendo assim, como ficaria o MDB local? Vamos recordar que, em 2018, Jair Bolsonaro obteve 936.494 votos válidos, representando 58,37% do eleitorado do DF, e neste caso, como o eleitor local irá enxergar esse paradoxo? Ou seja, vale a pena para o MDB Nacional manter o MDB-DF desvinculado da pauta nacional? Para quem conhece bem a política partidária, que é diferente da eleitoral, a resposta já está dada.

Voltando aos números, os cenários são favoráveis para Rafael, novamente como deputado distrital, em qualquer partido. Para Deputado Federal, o cenário que favorece Rafael está tão somente no MDB-DF, visto que, propensos pré-candidatos ao mesmo cargo já estão pré-selecionados pelos partidos da base aliada. Contudo, mesmo no MDB-DF, não será uma campanha fácil, pois Rafael, mesmo com seu excelente desempenho como deputado distrital, não possui, ainda, condições de alcançar o quociente eleitoral necessário, considerando a legislação eleitoral atual. Estou aqui só fazendo considerações e análises combinatórias, por favor, não considerem como afirmações em relação a possíveis candidaturas ou troca de partidos, são apenas simulações de cenários eleitorais para o cálculo das probabilidades de possíveis sucessos ou fracassos dos candidatos.

O fato é que estamos chegando ao final do ano e, pessoalmente, já anseio por 2022. Primeiro para ver o fim da pandemia, e por isso, oro por nosso país. Segundo, gosto demais de uma eleição, e no caso do DF, com a quantidade de propensos pré-candidatos, somente os melhores preparados – estrategicamente – alcançarão o sucesso. Ou seja, muitos dos que hoje estão em seus confortáveis mandatos no legislativo deixarão espaço para outros em 2022. Já no executivo, secretário(a)s de estado e administradore(a)s regionais, unidos à “velha política”, e que, por isso, já se acham eleitos, deveriam se profissionalizar no âmbito eleitoral ou desistir definitivamente, para não serem envergonhados com o fracasso nas urnas em 2022, o que, para muitos, será o enterro definitivo de carreiras políticas.

E para os cargos de senador e vice-governador? Por hora, vamos aguardar, mas se tiver que opinar, as chances tendem a zero. Para pleitear o cargo de vice-governador, na mesma chapa que Ibaneis Rocha, provavelmente Rafael teria que deixar o MDB-DF, e para piorar, teria que concorrer com os que anseiam a mesma posição, incluindo o atual vice-governador, Paco Britto. Será que vale a pena entrar nesse “balaio de gato”? Pessoalmente acho que não, mas vamos acompanhar as movimentações dos bastidores para, em breve, aprimorar as nossas análises.

Paulo Medeiro é estrategista político, cientista de dados, mestre em Inteligência Artificial pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT); pós-graduado em Inteligência de Mercado e Comércio Internacional pela EU Business School de Genebra, Suíça; e Bacharel em Ciência da Computação, pela Universidade Católica de Brasília (UCB).