José Carlos Gentilli – Escritor, Membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa

Só na Austrália e nos polos é que não vamos encontrar veados. No restante do mundo o veado prolifera e saltita, graciosamente. No Brasil os veados são encontrados por toda parte, inclusive no tradicional jogo do bicho, criação genial do Barão de Drumond, responsável pelo Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, no século XX.

Esta invenção drumondiana, à época licita, benemérita, é considerada, hoje, contravenção penal, atualmente anacrônica, enquanto os assemelhados jogos de azar são desenvolvidos pelo Governo, via loterias de toda a espécie. Brasil e suas idiossincrasias… Nele, o jogo do bicho, a reunir vinte e cinco animais, o veado é representado pelo grupo 24, animal considerado gracioso, cuja fêmea é nominada bicha, daí a ilação com os afeminados, os eunucos, i castrati, criaturas dóceis da terceira via.

O povo e seus modos pejorativos e hilários de agir!

O brocardo vox Populi, vox Dei – voz do Povo, voz de Deus –, imanta a crendice nos USA com referência ao número 13, associado ao azar, e se verifica que lá os ascensores não têm este numeral. Algo esdrúxulo, mas vigente, também. 

Neste contexto de animalismo sociológico, Luiz Mott, considerado o pai do homossexualismo no Brasil, afirma que os “gays são os eunucos de hoje”. 

A questão é milenar e vamos encontrar no Novo Testamento, em 1 Coríntios 6:9/10, a predição bíblica: 

Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não se deixem enganar: nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem abusadores de si mesmos com a humanidade.”

Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.

Recentemente, o Grupo Arco-Íris (LGBTQI+), apoiado pelos políticos Fernando Hadad e Manuela D´Ávila, em 2018, como tem agido os perdedores do último pleito, a procurar a Justiça Pública, notadamente a Suprema Corte, para pleitear anseios, que deveriam ser amparados pela vertente legislativa do Congresso Nacional. Neste momento, a entidade vai à Justiça contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a fim de que na Copa América não haja a ausência do número 24, e alega que a supressão do indigitado numeral no Brasil “tem associação ao animal veado no jogo do bicho e “ofende a comunidade LGBTQI+. 

Na América hispânica não há veados e sim “maricones”, que ignoram o dígito 24.

Chega a ser risível, mas afirma um jurista : A Justiça não pode obrigar alguém a fazer o que a lei não obriga. No entanto temos visto um Judiciário cada vez mais ativista e ignorando as leis.”

O Juiz Ricardo Cyfer, da 10ª Vara Cível do Rio de Janeiro, deu o prazo de 48 horas para a CBF explicar o motivo de ser o Brasil a única seleção latino-americana de futebol a não usar o número 24 para identificar um dos seus jogadores, mesmo ignorando que a Copa América é de responsabilidade da COMEBOL e não da FRESCOBOL, como diria a Tia Zulmira, figura lendária do saudoso Sérgio Porto (Stasnislaw Ponte Preta).

No Brasil ainda temos muitos pecadores no armário, a enfrentar a espada de Dâmocles da Justiça Divina, no afirmar da Sagrada Bíblia Vulgata!

*Jornalista