José Carlos Gentilli – Escritor, Membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa

Era uma vez, na maravilhosa Ratolândia do Ontem, quando o rato mais  velho, que se autodenominava o mais honesto camundongo do mundo,  resolveu voltar à cena da ladroagem institucional. 

Sonhar não é proibido, até mesmo no mundo dos ratos. 

Dando seguimento à sua visão onírica, convidou sete ratos anões  da marginalidade da Ratolândia, esdruxulamente imaginados como  correspondentes aos ilustres e honrados anões do conto dos Irmãos Grimm,  chamados de Zangado, Dunga (denominado em Portugal, de Mudo), Mestre,  Dengoso, Soneca, Atchim e Feliz, projetados cinematograficamente pela  genialidade de Walt Disney.  

Assim, agiu o venerando rato velho, após saber que a cientista Christian  Keysers, do Instituto Holandês de Neurociência, face estudos, aventou o  seguinte:  

“Humanos e roedores possuem estruturas cerebrais  

semelhantes que regulam a empatia, sugerindo que esse  

comportamento esteja profundamente enraizado na  

evolução dos mamíferos.”

VENERANDO RATO VELHO DA RATOLÂNDIA

Com base nesta experimentação laboratorial, ainda em fase de suprema  comprovação, o venerando rato velho sentiu-se um humanoide, a sonhar a  quimera de que ratos e pessoas são criaturas da mesma espécie. 

Assim, os camundongos resolveram lançar na Ratolândia o programa  Cheese Product Integration – CPI, a título de teste, para tentar a certificação  científica, a premiar quem enuncie os nomes dos sete ratos metamorfoseados  da gravura, que oferece como primeiro prêmio uma tonelada do inigualável  queijo francês Roquefort Paysan Breton; como segunda premiação, o maior  queijo do mundo, da Sardenha, pesando quinhentos e noventa e oito quilos,  laureado no Guiness Book; e, para o terceiro colocado, uma monumental cesta  dos afamados queijos Brie, Gouda, Parmesão, Manchego, Feta, Camembert,  Edam, Emmental, Gruyère, Mozarella, Oaxaca, todos já premiados pela  World Cheese Awards. 

Embora ambos gostem de queijos, será que ratos e pessoas tem a mesma  cepa? 

*José Carlos Gentili,  

jornalista. (fábula)