No Sistema Confea/Crea e Mútua, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia (23/06) foi marcado pela participação de 22 entidades de classe representadas por mulheres na live promovida pelo Colégio de Entidades Nacionais (Cden).


Transmitida pelo canal Youtube.com/Confea10, a live teve 400 inscritos e está à disposição para quem quiser acompanhar o que foi dito nos relatos sobre o crescimento da participação feminina em associações e sociedades de representação profissional e nos órgãos de regulamentação e fiscalização, como os conselhos regionais e federal de Engenharia e Agronomia.

Caminhada necessária
Entre as lideranças que deram as boas-vindas às participantes, o presidente do Confea, engenheiro civil Joel Krüger, a diretora da Mútua, eng. agr. Giucélia Figueiredo, e o eng. mec. Marco Aurélio Candia Braga, coordenador do Cden.

Ao saudar as participantes, Joel Krüger destacou a importância do Programa Mulher do Confea, lançado em 2018, e desenvolvido por um comitê gestor.

Para Krüger, além de comemorar, “a data permite refletir sobre as condições das estudantes e das profissionais no mercado de trabalho e sobre atuar pela igualdade dentro do Sistema e na sociedade”. Ele agradeceu o envolvimento dos presidentes de Creas com o Programa Mulher, com o objetivo de fortalecer essa participação.  

Giucélia, por sua vez, disse que as entidades são “o chão das nossas profissões” e destacou que em “88 anos de Confea, apenas uma mulher se candidatou à presidência do Confea, Fátima Có”. Com relação à Mútua, informou que, em 44 anos de atividades, apenas uma mulher disputou a presidência, ela mesma no último processo eleitoral. Para ela, “a sustentabilidade do Sistema também passa pela igualdade de gênero”. 

“A caminhada não é fácil, mas é necessária. Para nós, não existem concessões, existem conquistas. Não queremos concessões”, repetiu, “queremos reconhecimento”. A diretora da Mútua afirmou que “o Programa Mulher é uma força grande com perspectiva diferenciada do que aconteceu no passado”.  


Marco Aurélio Braga, coordenador do Cden, ao reconhecer as dificuldades das mulheres em profissões em que a maioria são homens, reconheceu que “a luta não é de hoje”. 

Gizele Gadotti, da Associação Brasileira dos Engenheiros Agrícolas (Abeag) e representante do Cden no Comitê Gestor do Programa Mulher, disse que o objetivo do encontro é sensibilizar as mulheres para participarem das entidades de representação profissional: “queremos colaborar, incluir direitos e retirar entraves, criar espaços para as demandas que essas representantes possam trazer e incentivar palestras sobre o tema”.  

Ao se manifestar, Nanci, que preside o Crea gaúcho, disse que “as mulheres querem ser protagonistas e ter os homens, colegas de profissão, na caminhada”. 

Programa plural
Boa parte da live foi dedicada ao Programa Mulher, detalhado por Fabyola Resende, engenheira eletricista, integrante do comitê gestor do Programa e gerente de Relacionamentos Institucionais do Confea:  “vejo que nosso projeto tem dado certo”, disse no início de sua apresentação.  Ela informou que uma nova versão do Programa, revisada e atualizada, será lançada até o final do mês, com diversas participações e com temas, conceitos e compromissos ampliados, em busca da equidade de gênero e combate à violência contra a mulher. 

Fabyola lembrou que o Programa surgiu o Confea pela expertise do presidente Joel, que criou o Comitê Mulher quando presidiu o Crea do Paraná, e disse que o Programa trabalha em consonância com a agenda 2030, da ONU, destacando Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como o de número 10, que visa reduzir desigualdades.

Para a secretária executiva do Programa, “ele é pluralizado” na medida em que os Creas criam seus programas, os quais adquirem identidade própria e dialogam com toda a sociedade.  

Nos relatos apresentados, todos voltados para a realização de ações que mudem a realidade da vida profissional, em que as engenheiras se deparam com falta de reconhecimento, assédio e diferença salarial, uma identificação, a de que é fundamental e vale a pena as mulheres optarem por profissões da área de Exatas e valorizar suas atuações por meio das entidades de classe e regulamentação profissional.

Participação crescente, mas ainda discreta
Atualmente, dos 27 Creas, seis são presididos por mulheres, número nunca alcançado antes – Acre: eng. civ. Carmem Bastos Nardino; Alagoas: eng. civ. Rosa Maria Barros Tenório; Distrito Federal: eng. civ. Maria de Fátima Ribeiro Có; Mato Grosso do Sul: eng. agrim. Vânia Abreu de Mello; Rio Grande do Norte: eng. civ. Ana Adalgisa Dias Paulino e Rio Grande do Sul: eng. amb. Nanci Cristiane Josina Walter. No Confea, são duas as conselheiras federais, a eng. agr. Andrea Brondani e a eng. mec. Michelle Ramos. 

Em maior e menor grau, a participação feminina também cresceu entre as entidades de classe.

Pontuada por ações das entidades que visam aumentar a participação das mulheres no sistema de representação profissional, a live revelou que, apesar do crescimento registrado no número de mulheres matriculadas nos cursos de engenharia, no mercado de trabalho sua presença ainda é muito discreta. Segundo o Censo da Educação Superior do Inep de 2019, https://www.gov.br/inep, apenas 37,3% dos formandos em cursos de graduação da área de Engenharia, Produção e Construção são do sexo feminino. No mercado de trabalho,  a porcentagem cai para 17%. 

Calendário Oficial
Criado pela Women’s Engineering Society, do Reino Unido, com o objetivo de fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando nas diversas modalidades da profissão, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia foi incluído no calendário oficial do Sistema Confea/Crea. 
 

Maria Helena de Carvalho
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: Marck Castro/Confea