LIVROS, PERGAMINHOS DO AMANHÃ –

Costumo afirmar que os livros serão os pergaminhos do Amanhã, atualmente existentes com 129.864.880 edições, conforme registros diários da Inside Google Books. Muitos dirão, poucas! Observem que se tratam de edições de livros impressos!

Livros impressos têm seu início com o homem de Mogúncia, face o advento da prensa com tipos móveis, imprimindo Johannes Gutenberg a Bíblia, em 23.2.1455.

Todavia, livro promana de liber, que significa uma membrana, existente entre a casca e o cerne de algumas árvores, primitivamente utilizada para a impressão.

Antes, os registros eram inscritos em argila, em couro, em pedra, em ossos e em metais, mais tarde transpostos em seda, em papiro, em pergaminho, em papel, finalmente.

Uma longa trajetória até a chegada dos e-books, etapa que será substituída pelo “chipamento” dos seres humanos, que se tornarão gigantescas bibliotecas ambulantes.

Antevisão, sim. Previsibilidade embasada na vertiginosa inteligência artificial que inicia descobertas no ignoto universo neuronal. Além, claro, das pesquisas do mundo da genética, da bioquímica e da astrofísica. Tenhamos em conta que iniciamos viagens estelares… Algo incognoscível!

O Tempo é uma ficção humanoide.

Recentemente (?), Walter Montgomery Jackson (1863-1923), ao difundir a britânica The Children´s Encyclopaedia, conhecida como Tesouro da Juventude (The Book of Knowledge), assim enunciava ipsis literis, podendo-se considerar, hoje, até certo ponto algo risível:

“Encyclopedia em que se reúnem os conhecimentos que todas as pessoas cultas necessitam possuir, offerecendo-os em forma adequada para o proveito e entretenimento (sic) dos meninos.”

Um destes “meninos” foi o octogenário autor destas divagações, ao receber, aos dez anos de vida (1950), a coleção do Tesouro da Juventude (edição da Jackson & Jackson, Inc.) composta por 18 compêndios, lidos e relidos várias vezes, fonte de consulta permanente, à época.

Com o advento da internet este cenário tornou-se mera e saudosa relembrança!

Os audiolivros são realidades em quaisquer idiomas, decifráveis com a simples manipulação do Enence (Instant Translator), que permite qualquer beócio comunicação em 29 idiomas.

 Outrora, as tradicionais conversas nos alpendres, transmutativas dos conhecimentos vivenciais sob o manto da milenar dialética familiar, verdadeiro caminho entre as ideias na ideação do grego Platão, estão sendo convergidas para as redes e suas plataformas internéticas, de forma globalizada e instantânea (on line).

Imagine-se a genialidade de Leonardo da Vinci, no medievo, ao antever o futuro com a edição do Codice sul volo degli uccelli (Códice sobre o voo dos pássaros), em 1505, confrontado com as realidades tecnológicas da atualidade.

A Biblioteca Digital Mundial (World Digital Library), multilingue, criada pela Biblioteca dos Estados Unidos e UNESCO, conduz o estudante não mais às bibliotecas, de forma presencial; mas, ao contrário, promove a convergência à classe discente em salas de aula, sob a forma instantânea e eletrônica, a disponibilizar, um volume gigantesco e inimaginável de dados, de dicionários e, sobretudo, de ensinamentos estratificados.

A Teoria Quântica, proposta por Max Planck, é algo impressionante, senão vejamos o descortinar dos meandros deste universo:

“A mensagem é que na teoria quântica não há fatos objetivos. Isso quer dizer que um mesmo fato não é visto da mesma forma por diferentes observadores.

Trata-se de uma disciplina tão impressionante quanto complexa que se propõe a definir e entender aquilo que não se vê, aquilo que não se pode medir e todo o indeterminismo inscrito nas partículas que compõem a nossa realidade.”

Em suma, a realidade não existe! Os livros não existirão mais!

A Odisseia da Gnose, mais do que um livro, é um contraponto visionário assestado para a comunicação do Amanhã, de cunho telepático, de natureza informacional, onde o pensamento será a linguagem instantânea e cotidiana entre os seres.

Os livros? Serão os pergaminhos do Amanhã!

José Carlos Gentilli – Escritor, Membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa

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