Por Maurício Nogueira

A briga entre André Marinho, integrante do Pânico, e Tomé Abduch, convidado do programa da Jovem Pan, nesta terça-feira (11) gerou um clima de tensão nos bastidores da rádio. Funcionários notaram a presença de um homem armado no estúdio no momento em que ambos começaram a trocar socos e pontapés.

Segundo fontes do Notícias da TV, trata-se de um segurança de Abduch, que acompanhou o comentarista político do Jornal da Gazeta durante a entrevista. Funcionários que estavam no local ficaram com medo de algo pior além da briga acontecer.

A assessoria da emissora ainda não se pronunciou em relação à presença da arma no estúdio. Mais cedo, sobre a briga, foi emitida a seguinte nota: “A direção da Jovem Pan lamenta o ocorrido e informa que tomou as providências necessárias a respeito do episódio”.

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Homem carregava arma na cintura (em destaque)

O início da discussão se deu quando Abduch pediu um direito de resposta relativo a uma participação recente no Pânico: “No final do último programa, eu não tive a oportunidade de falar algumas coisas. O Marinho fez um comentário que eu gostaria de ter a oportunidade de dizer [meu lado]. Não é treta. Vou falar do Tomé, não do Marinho. Ele falou: ‘Tomé, fala da casa do [João] Doria’”.

Após se defender das acusações, Marinho insistiu no tema, mostrando uma suposta escritura de contrato em seu celular: “Ele é o maior crítico do cara e ainda desfruta e se lambuza do conforto de uma casa?”. “Eu pago aluguel, a casa tá alugada, rapaz!”, justificou o convidado.

Na sequência, o clima esquentou e Abduch fez uma crítica à família do humorista, que é filho de Paulo Marinho, empresário e primeiro suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Paulo foi um grande apoiador de Jair Bolsonaro durante as eleições presidenciais em 2018, mas posteriormente rompeu com o governo federal.

Cresce e tira a fralda! Você quer me atacar na vida pessoal? Você tem telhado de vidro e eu não tenho. Eu tenho um pai íntegro, que trabalhou a vida inteira. Você tem um pai que é envolvido com Renan Calheiros, com Zé Dirceu, com Doria, você tem uma pessoa que traiu o presidente [Jair] Bolsonaro porque não recebeu a boquinha que queria!”, exclamou.

“Se eu sou um fraldinha, você é o fraudinha, uma absoluta fraude”, disse Marinho, que ainda alegou que Tomé é “odiado, desprezado pela militância, uma pessoa que não tem mais nenhuma credibilidade”. Em outro momento, Tomé bradou: “Você é moleque!”. A produção do Pânico entrou no clima de baixaria e inseriu diversas vinhetas do Programa do Ratinho, com Rogério Morgado imitando o apresentador e “narrando” a briga.

O apresentador Emílio Surita chegou a tentar desconversar, mostrando uma plaquinha que indicava “seis dias sem treta” na atração, em vão. Tomé pediu novamente oportunidade para se defender, e Marinho atacou: “Emílio, você vai dar palanque para esse irrelevante, que precisa de mim para ter relevância, e dá nessa porra! Depois ficam me cobrando: ‘Mais humor, menos política’. Fico ouvindo desaforo aqui do Chico Bento?”.

A briga se intensificou quando os dois abordaram o apoio ao deputado federal Arthur Lira (PP-AL) na eleição para presidência da Câmara ocorrida em 2021. “Não tem conversa com esse cidadão. É um desqualificado”, reafirmou Marinho sobre o convidado, que revidou: “Vem o babaca aqui dizer esses negócios para mim?”

“Valeu, chorão! Chora por político…”, respondeu o humorista. Neste momento, Abduch se levantou e foi em direção ao rival, que estava sentado no lado oposto do estúdio. Os dois se estranharam e partiram para a troca de socos e pontapés. Diversos membros da produção, além de Daniel Zukerman e Samy Dana, integrantes da bancada, buscaram separar os brigões.

Surita solicitou a ida para o intervalo, pedindo “break” cinco vezes. Cinco minutos depois, o programa retornou para um encerramento, enquadrando apenas o comandante do Pânico, que lamentou a briga: “Eu peço desculpas à nossa audiência. Os ânimos se acirraram aqui”.