REFLETINDO SOBRE A NOTÍCIA POR ANA CAROLINA CURY | Do R7

Antônia tinha o sonho de buscar uma vida melhor, mas as pessoas não acreditavam em seu potencial por conta de sua aparência

Conheci essa semana a história da Antônia Marina Faleiros, de 60 anos, que chegou a morar nas ruas e hoje é juíza. Certamente você já ouviu depoimentos como o dela, daqueles que  motivam a seguir em frente, que mostram pessoas que não tinham aparentemente condições, mas com esforço, perseverança e fé conseguiram superar as dificuldades para atingir seus objetivos. 

Quando estava com 21 anos, Antônia, que é filha de um trabalhador rural e uma dona de casa, decidiu correr atrás de uma vida melhor em Belo Horizonte, sua terra natal. Ela chegou ao ponto de dormir oito meses nas ruas.

Em busca de conseguir aprovação no concurso de oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Minas, chegou a pegar, no lixo, folhas descartadas de apostilas de um cursinho preparatório para conseguir estudar. Ela também trabalhou como empregada doméstica.

Além de toda a determinação de Antônia, o que me chamou atenção foi que ela revelou que sofria preconceito por ter “cara de pobre”, chegando a perder oportunidades profissionais por conta disso. Mas, sua reação foi a de usar todas essas palavras de desencorajamento como motivação. Porque ela acreditava em si, e não importava o que as outras pessoas pensavam.

Ela citou um exemplo que aconteceu em sua infância. Por ter os dentes muito cariados, um projeto da escola sugeriu que ela arrancasse os dentes, mas, se recusou porque acreditava que um dia conseguiria fazer o tratamento adequado. “Foram até conversar com os meus pais para me obrigar a tirá-los. Eles diziam que era uma ilusão da minha parte sonhar em tratar os dentes. Meu pai olhou para mim, me perguntou se eu queria arrancar e eu respondi: ‘um dia vou tratar os meus dentes’. Foi ali que deixaram da forma que estava porque meu pai acreditou em mim”, detalhou.

Ou seja, Antônia não permitiu que a “opinião” dos outros influenciassem sua decisão de buscar um futuro melhor.

Não acredite na humilhação

Se Antônia absorvesse o que falavam sobre ela e sobre seu futuro jamais teria conseguido passar em terceiro lugar no concurso e realizar seu sonho. Ela decidiu não se preocupar com a “opinião alheia” a seu respeito e realizou o sonho de ser juíza.

Quantas pessoas, infelizmente, não fazem isso e escolhem se vitimizar por sua condição social ou por uma humilhação que vivenciaram? E, em vez de batalhar, colocam a culpa na sociedade, na discriminação etc.

Assim, o sofrimento vira uma espécie de muleta e as pessoas acham que todos devem sentir pena delas. Mas, quem gosta de receber esse tipo de tratamento?

E aí, em vez de vencer, entram no papel de vítima e só sabem reclamar, falar que nada dá certo por causa disso ou daquilo, sempre culpando os outros.

É preciso saber diferenciar

O senso crítico é essencial para a mudança e evolução. Quem não consegue avaliar os pontos que demandam melhoria fica estagnado na zona de conforto. Por isso, é indispensável saber diferenciar a crítica construtiva da destrutiva.

Alguns buscam ajudar nesse processo, já outros querem atrapalhar e fazem isso por meio de palavras que inferiorizam ou prejudicam, simplesmente para se sentirem mais seguros.

Em maior ou menor grau, todos já foram vítimas de críticas construtivas ou destrutivas.

Por isso, é preciso entender que é impossível ter controle sobre o que as pessoas pensam ou fazem. Elas são livres, nós quem temos o poder de decidir se o que elas falarem vai, ou não, impactar nossas vidas.

Antônia conseguiu aproveitar até mesmo as humilhações que sofreu para extrair ainda mais motivação para transformar sua vida.

É isso o que acontece quando uma pessoa decide não ser vítima: ela assume o controle do presente e do futuro. E, em vez de só ficar lamentando, determina que lutará para obter a mudança, independentemente do que falem ou pensem sobre ela.