RAY CUNHA, DE BRASÍLIA – O arquipélago do Marajó, no estado do Pará, Amazônia Oriental, derrama-se abaixo da Linha Imaginária do Equador, emergindo das águas do maior rio do mundo, o Amazonas, a norte e oeste; do rio Pará, ao sul; e do oceano Atlântico, a leste. A principal das 1.200 ilhas, Marajó, do tamanho da Suíça, é a maior ilha na costa do Brasil e do planeta em águas salobras.

Mas neste arquipélago paradisíaco curumins morrem devorados por verme, ameba, giárdia, malária; crianças são estupradas dentro de carros enquanto balsas cruzam os rios, e no interior de embarcações, silenciadas, no seu sofrimento, por comida; ratos d’água atacam casas de ribeirinhos, roubam e estupram as mulheres; e contrabandistas pilham sítios arqueológicos e traficam para a Europa a cerâmica mais famosa do Brasil.

Atenção ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas! Para se desenvolver, o Marajó precisa de energia elétrica de Tucuruí e da Hidrovia do Marajó. Há uma terceira linha de desenvolvimento, esta, mais arrojada, porém absolutamente viável: uma base de lançamento de foguete no cabo Maguari, município de Soure.

O cabo Maguari é um dos melhores ponto do planeta para lançamento de foguetes, pois está situado praticamente na Linha do Equador, ponto de rotação mais veloz da Terra, o que impulsiona o lançamento de foguetes, e defronte para o oceano Atlântico, área de escape por excelência em caso de acidente, além de afastado de aglomerações humanas, mas relativamente próximo a Belém.

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal/RN, e o Centro de Lançamento de Alcântara/MA estão estrangulados por especulação imobiliária e questões fundiárias.

Componentes, e até foguetes, mesmo, e satélites, poderiam ser fabricados no Distrito Industrial de Barcarena, com energia hidroelétrica da usina de Tucuruí, e serem transportados de balsa do Porto de Vila do Conde, o maior do Pará, para Soure, e, de lá, para o cabo Maguari.

Quanto à hidrovia, em 1998, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública embargando a obra, mesmo considerada como a única possibilidade de reverter o secular isolamento e empobrecimento da região, apesar de a obra ser tão simples: abrir um canal ligando os rios Atuá e Anajás. Acontece que encontraram um sítio arqueológico no local.

Para o deputado federal Nilson Pinto (PSDB/PA), ex-reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), “essa obra, que é simplíssima, enfrenta percalços por falta de conhecimento e pelo excesso de zelo gerado pelo desconhecimento de algumas autoridades”.

A Hidrovia do Marajó é fundamental para a Amazônia Oriental, mas só sairá do papel se os governos federal, do Pará e do Amapá se unirem para valer por essa causa, levando-a ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, atualmente, decide tudo no país, e não somente questões constitucionais. E os parlamentares da região podem sair a campo para coletar assinaturas e entrarem no Congresso com um projeto popular que crie exceção em prol do desenvolvimento da Amazônia.