RAY CUNHA
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RAY CUNHA, DE BRASÍLIA, 2 DE FEVEREIRO DE 2021 – O primeiro ato de Arthur Lira (PP/AL), eleito ontem em primeiro turno presidente da Câmara com 302 votos, foi anular decisão de Rodrigo Maia (DEM/RJ), o ex, que tratou, nos estertores do poder que ele gozou durante quatro anos, de alojar na futura mesa diretora o bloco de seu candidato Baleia Rossi (MDB/SP). Lira anulou a votação para os demais cargos da mesa diretora porque o registro foi feito fora do prazo, mas mesmo assim aceito por Maia.

Rossi já tinha missão determinada em caso de vitória: dar um chute na bunda do presidente Jair Bolsonaro, aceitando um dos pedidos de impeachment fajutos que pipocam na Câmara. Só não se sabe o resultado de um pedido de impeachment aceito, já que Bolsonaro sobreviveu até a uma peixeirada capaz de fazer picadinho dos seus intestinos.

Maia chorou na despedida, lágrimas de crocodilo. O ex passou quatro anos sabotando Jair Bolsonaro e gozando as mordomias da presidência da Câmara, que são principescas. Sai isolado, até pelo seu próprio partido, o DEM.

Lira afirmou que procurará com urgência o também recém-eleito presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), para articular uma pauta emergencial, já que tanto na Câmara quanto no Senado, com o ex Davi Alcolumbre (DEM/AP), as votações eram travadas, inclusive pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesses dois anos, Alcolumbre deu pistas de que o Supremo lhe infundia pânico.

Livre da ingerência do Supremo, que tinha apoio de Alcolumbre, e da ameaça de que um dos pedidos fajutos de impeachment na Câmara fosse aceito por Maia e vingasse, o presidente Jair Bolsonaro, que, sem roubar e sem deixar roubar vem pondo o Brasil na cabeceira da pista, pronto para levantar voo, poderá, finalmente, governar, juntamente com o Congresso Nacional, sem ansiedade extra.

Assim, este será um ano de intensos trabalhos no Congresso, especialmente quanto às reformas tributária e administrativa. Outra questão que poderá ser resolvida é a legalização dos jogos no Brasil. Rodrigo Maia engavetou essa pauta durante toda a sua gestão. Mas Arthur Lira sabe que é preciso legalizar o jogo.

Estudo do IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de faturar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. E geraria mais de 658 mil empregos diretos e 619 mil empregos indiretos.

É claro que muita gente vê o diabo em toda parte, quando, na verdade, ele está dentro de cada um de nós e só sai quando é convocado.