RAY CUNHA

BRASÍLIA, 20 DE JANEIRO DE 2021 – Contratada pelo portal BNLData/Instituto Brasileiro Jogo Legal, a Paraná Pesquisas consultou, em maio do ano passado, 238 parlamentares federais, com a pergunta: “O Sr.(a) é a favor ou contra a legalização de todos os jogos de azar no Brasil, ou seja, a legalização de cassinos, jogo do bicho, casas de bingo, vídeo-jogo e jogo online?” Resultado: 52,1% responderam favoravelmente à legalização dos cassinos, jogo do bicho, bingos, vídeo-jogo e jogo online; 40,8% foram contrários; e 7,1% não responderam.

O candidato às presidências da Câmara e do Senado que manifestar apoio à legalização do jogo terá o voto desses parlamentares. No Senado, há um projeto de legalização do jogo de azar/cassinos pronto para ser votado em plenário.

Calcula-se que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares, incluindo o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, vídeo-jogos, apostas esportivas e jogos online. Estudo do Instituto Brasileiro Jogo Legal – IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Além disso, seriam gerados mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil empregos indiretos.

Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, havia 70 cassinos espalhados pelo país empregando mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva.

Em todos os países civilizados do mundo o jogo é legal. Há um argumento da oposição ao jogo inacreditável. A turma do moralismo acha que a liberação dos jogos de azar pode agravar problemas na saúde, com alto custo de tratamento dos apostadores contumazes, além de aumentar a exploração sexual e a prostituição e piorar a segurança pública, e prejudicaria ações de combate à corrupção, aumentando também lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas.

Tudo isso está acontecendo é com o jogo na clandestinidade, que alimenta a corrupção, propina e chantagem política, o que torna a legalização do jogo inadiável e irreversível, pois um dos países onde mais se joga hoje no mundo é o Brasil, movimentando cerca de 20 bilhões de reais por ano, clandestinamente, enquanto o Estado chupa o dedo, em nome de um moralismo que esconde sabe-se lá o que. Pois bem, a próxima legislatura do Senado poderá mudar esse cenário, e rapidamente.