A memória precisa ser seletiva. A desorganização da cidade tem de ficar
no passado. Essa é uma obrigação do Governo, dos poderes Legislativo e
Judiciário e de todos nós, cidadãos

*Deputado Distrital Robério Negreiros – PSD/DF
Segundo Secretário da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Nós somos nostálgicos de natureza e há, inclusive, na indústria do
entretenimento e da moda, uma certa onda review com anos 80. Mas esse
saudosismo todo deveria ficar apenas nas mangas balonê e na vibe vinil
que pulula nas várias tribos de meia idade que circulam por Brasília.
Digo isso porque, andando pelas ruas da capital – um hábito que adquiri
desde o primeiro mandato, tenho percebido o crescimento de invasões
pelas asas Sul, Norte e cidades satélites. Um paisagem que era corriqueira
nos anos 80 e que está querendo nos revisitar. Comunidades inteiras, como
a antiga invasão do Ceub, estão sendo erguidas sem sofrerem nenhum
incômodo por parte do poder público.


Não se trata de elitismo, mas de uma questão social mais ampla. Essas
famílias precisam ser assistidas e ajudadas a encontrarem seu lugar nesse
mundo, de maneira digna, universal e justa. Mas há também a reclamação
que tenho escutado de muitos moradores com relação à deterioração da
sensação de segurança e do aumento nos casos de criminalidade.


É evidente que a maioria daquelas famílias que estão acampadas nas
proximidades da Universidade de Brasília, no fim da Asa Norte, ao lado da
Rodoviária interestadual, no viaduto de acesso ao Park Way, próximo ao
aeroporto, nas imediações do Ceub e do Detran e em outras tantas áreas
são formadas por pessoas de bem, mas nem todas. Recebo relatos de
moradores que informam consumo e venda de drogas, cometimento de
pequenos furtos e até roubos cometidos com armas brancas.


Não se trata de um caso de polícia, mas de um caso que tem de ter a
atenção da Secretaria de Desenvolvimento Social. Essas famílias precisam
ser triadas, atendidas, removidas para lugares com condições mais dignas
e orientadas para acessos universais a saúde, educação e trabalho. Hoje,
como está, caracteriza um grave ofensa ao direito dos acampados e dos
moradores dessa regiões.


É o retorno de uma situação grave que Brasília havia enfrentado no final
dos anos 80, ainda durante o governo tampão de Joaquim Roriz. Naqueles
dias, o governador teve coragem para enfrentar essa questão social grave,
agindo de forma justa, triando as famílias e entregando a elas o necessário
para garantir uma vida digna.


Essa é uma pauta que tratarei com o nosso atual governador. Sei que ele
é uma pessoa sensível a questões urgentes como essa, principalmente
nesses dias em que a pandemia nos obriga, como políticos, a cuidar das
pessoas de maneira ainda mais acurada. Sei que o governador dará
solução eficiente e suficiente para esse caso e o retorno aos anos 80 servirá
apenas de titulo para festas da saudade e como expressão da moda e do
entretenimento.