Por Maurício Nogueira

Renomado defensor de figuras como Sérgio Cabral, Rei Arthur, o empresário Fernando Cavendish foi surpreendido nesta manhã por agentes da Polícia Federal, que investigam conduta irregular apontada por próprios colegas da advocacia. Dizia ter influência sobre o juiz federal Marcelo Bretas e, por isso, cobrava honorários estratosféricos.

A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (23) em endereços no Rio de Janeiro ligados a Nythalmar Dias Ferreira Filho, de 29 anos, um dos advogados criminalistas mais famosos da Operação Lava Jato. Ele defende diversos réus no RJ, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e os empresários Fernando Cavendish e Arthur Soares (“Rei Arthur”) entre outros.

Os mandados são cumpridos em endereços nos bairros de Ipanema, na zona sul, e em Campo Grande, zona oeste da capital fluminense.

CNN apurou que ele é investigado por abordar clientes e vender a eles proximidade ao juiz federal e da Lava Jato do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que não é alvo da operação da Polícia Federal,  responsável pelos processos da Lava Jato do RJ, e a procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que realizam as investigações.

Costumava nas abordagens dizer ser capaz de “resolver o problema” de réus por corrupção já que supostamente conhecia o juiz federal. As apurações foram abertas pela PF em outubro de 2019.

Criminalista jovem e com clientes poderosos, Nythalmar começou a chamar atenção quando negociou o acordo de delação premiada do ex-dono da construtora Delta Fernando Cavendish, investigado por integrar o esquema de corrupção do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

Em maio de 2019, advogados protocolaram uma representação no Conselho de Ética da Organização dos Advogados do Brasil (OAB) do RJ denunciando a conduta de Nythalmar. Segundo o documento, o advogado abordaria réus em meio a audiências realizadas na 7ª Vara Federal Criminal, onde Bretas atua, e oferecia seus serviços.

O MPF passou a investigá-lo ainda em 2019. Nythalmar tentou, de acordo com as investigações, atuar na defesa de Cabral. Nythalmar também defendeu figuras importantes do Rio de Janeiro, como José Mariano Beltrame, ex-secretário de Segurança do estado, e o ex-deputado federal Júlio Lopes.