Com amor,
Claudio Oliveira

Sou raso,
Sou acaso,
Sei lá… acho que até já venceu o meu prazo;
Sorriso entrestecido,
Criança sem abrigo,
De castigo,
Pássaro sem rumo, abatido,
Cristal quebrado, estilhaços de um coração partido,
Veneno sem antídoto,
Seria melhor, se o coito tivesse interrompido;
Madrugadas sem fim,
Nos cantos do quarto, segredos revelam o que restou de mim;
Pó, pele e osso,
De novo, porão e fundo do poço,
Do homem, restou o rascunho, esboço,
A beira da forca, corda no pescoço,
Carcaça, restos daquilo que já foi um moço;
No retrovisor da vida,
Mágoas e feridas,
Felicidade travestida,
Infância violentada, perdida;
Máscaras, falsidade, lágrimas de crocodilo,
Jovem alma, jogada no asilo,
Se foi à esperança, que já estava por um fio,
Assassinada a sangue frio,
A última gota de amor, foi doado aos vampiros…
Nem o cajado me consola,
Nenhuma lembrança de esmola,
Dor que só aflora,
Meus sonhos??? Se perderam, mundo a fora,
E esse pranto, que tanto me assola???
Vivendo no vazio, entre o nunca e o agora,
Sempre catando migalhas, do lado de fora,
Deixo aqui meu minuto de silêncio, é chegada a hora,
Não consigo, sinto muito, vou embora!!!

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