Por: Liana Alagemovits

Durante reunião virtual convocada pelo secretário Mateus Leandro de Oliveira, titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SEDUH), com diversos representantes de entidades empresariais, deputados e outros secretários do GDF, o presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, Fernando Brites lembrou que o projeto de revitalização do Setor Comercial Sul (SCS), protagonizado pela ACDF foi referendado em 2019 pelo governador Ibaneis Rocha, durante evento na praça do povo, organizado pela Associação Comercial. Nessa ocasião, o governador assinou uma ordem de serviço para obras de revitalização do local com um orçamento previsto em R$ 4,2 milhões.

Estiveram presentes na reunião, que debateu a conceituação do  SCS, o presidente da ACDF, Fernando Brites e a diretora da entidade, Ligia Meirelles, a administradora do Plano Piloto, Ilka Teodoro, a deputada Júlia Lucy (NOVO), o presidente do Sinduscon, Dionísio  Lamera, o prefeito do Setor Comercial Sul, Demerval pereira Luz, o presidente da Fecomércio, Francisco Maia, a secretária de Empreendedorismo Fabiana Di Lúcia, o presidente SINDHOBAR, Jael da Silva e o secretário de Governo, José Humberto. Os participantes se colocaram preocupados com a preservação do local e sua ocupação de maneira integral, com a devolução de espaços públicos, assim como a implantação de grandes empresas no centro de Brasília diante da reconceituação das áreas urbanas, voltando a ser o centro de negócios da capital

A reunião foi composta por lideranças que se debruçaram sobre o problema que acontece em Brasília e em outras áreas centrais de cidades de todo o mundo, que também sofreram impactos do crescimento urbano e se tornarão espaços deteriorados ocupados pela criminalidade, ocasionando desperdício de infraestrutura e desvalorização da região.

Sabendo disso, o governo e a iniciativa privada,  encabeçada por entidades fortes como a ACDF, buscam a ressignificação e a revitalização da área central de Brasília, para que ela possa ir além do que foi projetada e que seja transformada para melhor atender as demandas da atualidade. No caso da Setor Comercial Sul (SCS), a proposta da ACDF é que a região se transforme no Setor Digital Sul, atraindo empresas de alta tecnologia, museus, e restaurantes sofisticados com culinárias regionais e casas noturnas que recebam artistas renomados desde cantores, pintores, escultores e cineastas.

O projeto da reurbanização tem como objetivo resgatar e valorizar espaços que possam atrair investimentos aos novos moldes da modernidade. Esse projeto da ACDF, capitaneado pelo GDF e que possui o apoio de outras entidades empresariais, vai fortalecer o comércio desgastado por crises econômicas, afastando a marginalidade que se instalou no local e que afugentou empresas e escritórios de renome. Tal realidade, aniquilou empresas e por consequência, empregos, renda, impostos e fluxo de turistas. Assim, é de suma importância e urgência que a proposta seja colocada em prática o mais rápido possível, afirma o presidente da ACDF, Fernando Brites ao lembrar de exemplos bem sucedidos, como a revitalização do Puerto Madero, em Buenos Aires, que com a sua  recuperação se transformou no principal complexo residencial, turístico, gastronômico e comercial da capital argentina.

Outro caso de sucesso foi Bilbao, na Espanha onde governo e iniciativa privada investiram em uma série de obras, como a construção do Museu Guggenheim Bilbao, além do Port Vell, em Barcelona e o centro empresarial de Abandoibarra. Já no Brasil, as cidades de Curitiba e Rio de Janeiro também passaram por projetos dessa natureza. O Calçadão de Curitiba se tornou um empreendimento de sucesso, assim como o bairro da Lapa no Rio de Janeiro, que com reformas, se transformou com a valorização imobiliária. Além desses, a cidade de Santos-SP também possui o seu Plano de Revitalização do Centro Histórico, também conhecido como Alegra Centro, como os processos de “revitalização urbana” e da área portuária da cidade do Rio Grande/RS.

Foi baseado nesses casos de sucesso, que o presidente da ACDF relembrou que as obras devem trazer vida para a região que foi abandonada por governos anteriormente, mas que agora conta com um governador que entende a importância do Setor Comercial, que já foi o metro quadrado mais valorizado da capital do país. “Vamos comemorar porque agora temos a sinalização definitiva de que serão iniciadas as obras de repaginação do SCS. O secretário Matheus nos mostrou que estamos dando um passo a frente e que pode, inclusive, agregar outras propostas de se destinar em até 30% dos espaços comerciais e de escritórios corporativos para residências e a Rua 24h na galeria central do setor comercial.”, acrescentou o presidente da ACDF, ao lembrar de grandes escritórios e empresas que foram afugentados pelo descaso do poder público, mas que podem voltar trazendo ainda outros parceiros e grandes empresas de alta tecnologia, que é a grande chave do mundo“, lembrou Brites ao lado da diretora de projetos especiais da ACDF, Ligia Meirelles que ressaltou o DNA gastronômico do local. “Podemos trazer investimentos e ocupar de maneira adequada essa área com outras atrações turísticas com a concepção de espaço e seus múltiplos enfoques”, analisou. Nesse sentido, Meirelles ressaltou ainda, que o projeto atende o pensamento do setor produtivo, mas que enfrenta algumas questões vitais, como a ocupação de pessoas em situação de rua. Preocupada com o bem comum, a própria deputada Júlia Lucy promoveu junto a com ACDF coleta de mais de mil assinaturas apoiando a remoção do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do Setor Comercial Sul para um lugar mais adequado, que possa acolher melhor as pessoas que precisam de um apoio mais estruturado.

O que todos concordam é que projetos de revitalização de espaços públicos são desafios que precisam de grande mobilização empresarial, principalmente nesse caso, quando a ACDF pede uma recodificação do local para receber empresas de tecnologias, starapps, aceleradoras, restaurantes e empreendimentos da economia local circular para geração de mais emprego, renda e impostos.

Com o compromisso de diversas entidades em se esforçarem pelo andamento desse projeto inovador ao lado do governo, o que se sabe é que trata-se de uma iniciativa que deverá ser feita por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) e com incentivos que possam atrair investimentos grandes e que trarão benefícios para a sociedade como um todo em uma região nobre e central onde diariamente circulam 200 mil pessoas

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