Por: Claudio Oliveira

O inocente que é condenado,
O simples e o complicado,
Morto reencarnado,
Respirando por aparelhos, sem te sentir ao meu lado,
Dos sete, cometi todos os pecados,
Orgulhoso de tanto envergonhado,
De olho no futuro, com o retrovisor no passado,
Fui cortejado e humilhado,
Rei e bastardo,
Inteligente e retardado,
Comedido e tarado,
Sóbrio e embriagado,
Provei do doce e do salgado,
O saboroso e o amargo,
Tive castelos e fui favelado,
Esquecido e consagrado,
Ferida, cicatriz e sangue coagulado,
Eterno e com prazo de validade consumado,
Em busca de paz em um mundo tão alienado,
Estive no lixo e fui reciclado,
O filho pródigo que é abandonado,
Por vezes centrado, em outras, desmiolado,
Tive likes, me seguiram e até fui compartilhado,
Mistério desvendado,
Fui o segredo revelado,
Antídoto contra seres tão envenenados,
À procura de um norte em um bote naufragado,
Em busca de luz em um quarto apagado,
Obra de arte em um quadro antiquado,
Pele e osso em um corpo sarado,
Puro vigor dentro de um espírito esgotado,
Deserto atrás de seu oásis tão esperado,
Milagre a ser alcançado,
Vitórias e derrotas em um round que termina empatado,
Esmola para o mendigo desesperado,
Coração que insiste em pulsar, apesar de frustrado,
Em meio há tanta loucura, procurei deixar o meu recado,
Posso ser de um pouco, o tudo, o nada e o sem significado,
Posso estar na cruz, julgado e condenado,
Sem direito e calado,
Mas, de uma certa forma, fica a lição, deixo meu legado,
Diante de tantos vícios e virtudes, sou mais um infectado,
De pé, embora muitas vezes derrotado
Pão duro, amanhecido e amassado,
Mas para quem tem fome, qualquer migalha é um banquete, um achado!!! Com amor,

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