Não tive tanta sorte, mas também não fui um azarão,
Não joguei na várzea, nem tão pouco cheguei à seleção,
Longe de ser um milionário, nem cheguei a pobretão,
Não tive dias perfeitos, nem dias em vão;
Dias de sol, com chuva e dias nublados,
Desatei e tive nós atados,
Tentação, maçã e pecado,
Por vezes sóbrio, em outras embriagado,
Já vi esse mundo por todos os lados,
Tive voz e fiquei amordaçado,
Liberto e internado,
Saudável e hospitalizado,
Enjoo, estômago vazio, revirado,
Quebra cabeça ainda sendo montado,
Por muitos, questionado,
Centrado ou meio desmiolado?
Príncipe ou sapo nunca antes beijado?
Pureza, inocência, manipulação e maldade,
Quem sabe, ingenuidade…
Quantas máscaras cabem em um senhor de meia idade?
Retalhos costurados de identidade,
Qual o valor de uma liberdade?
Dentro de quantas lágrimas cabe uma SAUDADE?
Já encarei o abandono, a dó e a piedade;
Dormi demais, tive insônia, fiquei acordado,
Anjinho ou diabinho??? Um de cada lado,
Cada um com seu recado…
Peito dilacerado,
Sentimento calado;
Feitiço, feiticeiro e conto de fadas,
Começo da vida, logo ali, final da estrada,
Pedra lapidada, ESMERALDA, restos de mágoa,
Deus por mim e mais nada;
Esmolas de um sedutor,
Doce gigolô;
Cruel e canalha,
Cruz, escudo e espada… corda bamba, fio da navalha;
Castelo, favela e cortiço,
Falsas promessas, nenhum compromisso,
Pétalas jogadas aos porcos, desperdício,
Venda nos olhos, beira do precipício,
Semente e túmulo, final e início,
Graças a Deus, mais um dia longe do vício!!!

Claudio Oliveira.

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