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Não vão me tirar daqui”, disse o presidente Jair Bolsonaro, neste sábado (18). Dessa vez, ele foi à tarde ao Palácio do Planalto para “ver o movimento”. Aproximadamente, às 15h, o presidente deixou o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, onde mora com a família, e se deslocou até a sede do Poder Executivo.Por, pelo menos, 50 minutos ele se posicionou no alto da rampa do Palácio do Planalto conversando com seguranças e acenando para um pequeno grupo que estava junto à grade. Questionado por jornalistas se teria algum compromisso no local, disse que foi ao Planalto para “ver o movimento”. Bolsonaro se expõe aos bolsonaristas na busca de demonstrar força, já que no Congresso Nacional se afasta cada vez mais dos parlamentares.

Enquanto Bolsonaro observava a Praça dos Três Poderes, apoiadores começaram a se aglomerar em frente ao Palácio do Planalto.

Passados os 50 minutos, o presidente desceu a rampa e foi em direção ao grupo, já bem mais numeroso. Eram manifestantes que gritavam palavras de ordem contra o aborto e que se posicionaram atrás da grade de proteção do palácio. Algumas pessoas usavam máscaras, mas a maioria estava sem a proteção.

Críticas ao isolamento

Separado pelas grades, Bolsonaro falou aos apoiadores e fez críticas às medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos que determinaram o fechamento do comércio.

O presidente afirmou que as ações provocam efeitos negativos na economia, citou a situação de trabalhadores informais e declarou que “milhões” de pessoas já perderam empregos com carteira assinada.

Bolsonaro repetiu que, como a economia não está girando, “vai faltar dinheiro” para pagar o funcionalismo público.

“Não vão me tirar daqui”

Sem citar nomes, o presidente disse não querer acreditar que as medidas de isolamento sejam parte da vontade de “políticos” que, segundo ele, querem “abalar a Presidência da República”.

“Não vão me tirar daqui, com certeza”, disse. Nesse momento, apoiadores começaram a gritar palavras de ordem contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O presidente voltou a dizer que a abertura do comércio não depende dele, mas de governadores e prefeitos. “Se dependesse de mim, muito mais coisa estaria aberta.”“70% da população será infectada”Durante diálogos com apoiadores neste sábado, Bolsonaro também disse que 70% da população vai ser infectada pelo novo coronavírus. “Se não for hoje, vai ser semana que vem”, declarou. A conversa com os apoiadores foi transmitida ao vivo pela página do presidente em uma rede social. O grupo era composto por religiosos contrários ao aborto.

O presidente disse não apoiar ações de flexibilização do aborto e parabenizou as pessoas pelo protesto.

Abertura de comércio com cuidados

Na transmissão, antes de conversar com os apoiadores, Bolsonaro disse que falta humildade para “essas pessoas que estão bloqueando tudo de forma radical”. Para o presidente, o comércio pode voltar a abrir com os devidos cuidados, como uso de luvas, máscaras e álcool em gel.

Ele ainda manifestou preocupação com a situação de clubes de futebol. “Tem time aí que vai decretar a falência, time da segunda divisão”, afirmou.