Empresário brasiliense afirmou que juiz Sergio Moro revolucionou o país. “A corrupção passou a ser um caminho perigoso”

O empresário brasiliense Luiz Estevão, 70 anos, afirmou em entrevista à Revista Veja, publicada nas páginas amarelas da edição 2.676, nesse fim de semana, que no submundo da corrupção “não há inocentes”.

De acordo com o que disse o ex-senador à Veja, “qualquer personagem do mundo da corrupção, não é episódico, aprendeu um modus vivendi, aprendeu uma maneira de ganhar dinheiro. Nesse submundo, não há inocentes. Quando surge uma obra, o cara do órgão público, que representa um político ou um grupo político, indica um operador. E aí se inicia um processo que não tem limites, em que todos passam a ganhar”.

Na entrevista de três páginas, o empresário falou sobre sua condenação a 26 anos de prisão por desvios nas obras do TRT de São Paulo. “Não sou personagem principal desse esquema de corrupção. Fui beneficiário da situação, o que é diferente. Saí da sociedade quatro dias antes da licitação, quando percebi que meus sócios estavam ganhando muito dinheiro. Não estou dizendo que sou inocente. Sim, tirei proveito de alguma maneira, fiz negócios lucrativos, mas não fui agente direto desse esquema. Eu não era o responsável pela obra. No Senado, era também muito conveniente me cassar naquele momento”, afirmou.

Desde abril do ano passado, após progressão, Luiz Estevão cumpre a pena em regime semiaberto, quando foi autorizado a trabalhar em uma imobiliária durante o dia.

Luiz Estevão elogiou a atuação de Sergio Moro (hoje ministro da Justiça), enquanto juiz que conduziu a Lava Jato: “A corrupção passou a ser um caminho perigoso”.

Segundo Luiz Estevão, “o que o juiz Sergio Moro fez em benefício do Brasil ainda não foi dimensionado corretamente. Ele revolucionou o país. Agora, vejo um esforço gigantesco para derrubar os instrumentos que permitiram frear a bandalheira — delação premiada, prisão em segunda instância, essa coisa toda —, mas acho que ninguém vai conseguir. Ele deu um basta, provocou um tsunami que atingiu em cheio esse submundo que conheço bem. A roubalheira diminuiu muito, porque as pessoas agora têm medo da prisão”.

O ex-senador falou ainda sobre sua rotina no Complexo Penitenciário da Papuda desde que foi preso, em 2016, e da convivência com pessoas com que dividiu a cela, entre elas os ex-ministros José Dirceu e Geddel Vieira.