Distrito Federal não possui casos confirmados da doença. Medida autoriza compras emergenciais para abastecer estoques de medicamentos.

Por Gabriel Luiz e Carolina Cruz, G1 DF e TV Globo

O governador Ibaneis Rocha (MDB) declarou situação de emergência da saúde no Distrito Federal e alegou “risco de pandemia” do novo coronavírus (Covid -19) como motivação. A publicação do decreto, feita em edição extra do Diário Oficial do DF de sexta-feira (28), autoriza compras emergenciais sem licitação.

O Distrito Federal não possui nenhum caso confirmado de coronavírus, de acordo com informações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde. Até a tarde de sexta-feira (28), estavam em análise cinco casos suspeitos. Uma 6ª apuração chegou a ser anunciada, mas sem confirmação do governo federal. Desde janeiro, outros 18 casos foram investigados e descartados na capital.

A situação de pandemia considera a proliferação do vírus em todos os continentes. Nesta sexta-feira (28), a Organização Mundial da Saúde (OMS) negou pandemia, mas elevou para “muito alto”, o risco mundial de infecção da doença. Já o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, afirmou que o governo federal defende uma “revisão” da classificação.

“A gente tem reiterado que esta epidemia, pandemia, já deveria estar sendo tratada de forma mais ampliada do que tem sido a orientação da OMS”, disse Oliveira.

Até o momento, o Brasil possui apenas um caso de coronavírus confirmado. O anúncio foi feito na quarta-feira (26), a primeira confirmação da doença no país e em toda a América Latina. O paciente doente mora em São Paulo, tem 61 anos, e veio da Itália.

Sobre a declaração de estados de emergência nos estados, o Ministério da Saúde afirmou que os entes federativos “tem autonomia” para tal.

“O Brasil já declarou emergência. Cada estado tem autonomia para adotar as medidas. Todos os estados já informaram ao Ministério seus planos de contingência”, informou o ministério.

O que prevê o decreto de estado de emergência?

O estado de emergência vale por 180 dias e pode ser prorrogado. O texto prevê a reserva de leitos de UTI no Hospital da Asa Norte (Hran) e no Hospital de Base para os casos em que for necessário suporte intensivo. As unidades estão previstas como referência em plano de contingência (saiba mais abaixo).

Conforme o decreto, a Secretaria de Saúde deve manter uma série de garantias assistenciais. Entre elas, “garantir e monitorar estoque estratégico de medicamento para o atendimento de casos suspeitos e confirmados para o novo coronavírus” e ações de orientação e informação às equipes médicas da rede pública.

Ainda de acordo com o texto, as os processos relacionados às atividades de prevenção contra o coronavírus serão realizados ” em regime de urgência e prioridade em todos os órgãos e entidades da Administração Pública do Distrito Federal”.

Plano de contingência

O plano de contingência lançado pela Secretaria de Saúde prevê que o Centro de Informações Estratégicas em Saúde (CIEVS) concentre todas as notificações de casos suspeitos ou confirmados de coronavírus no DF.

Caso venha a ser confirmado um paciente infectado por coronavírus na capital, o plano prevê internação em leito isolado no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).

Já Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que gere o Hospital de Base, prevê a reserva do 10º andar da unidade para abrigar pacientes com suspeita da doença.

Veja aqui íntegra do plano de contingência do GDF.

Como funciona o monitoramento do coronavírus no DF?

As confirmações dos casos de coronavírus estão centralizadas em análise de amostras de material genético dos pacientes feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. As secretarias de saúde de cada unidade da federação é que encaminham os casos para o laboratório.

No DF, a Secretaria de Saúde analisa as amostras no Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (LACEN). Todos os exames – tanto dos pacientes da rede pública quanto da rede privada – são feitos pelo órgão.

Para que o paciente com gripe passe pela bateria de exames previstas para detectar coronavírus é necessário que ele tenha febre e tenha viajado para um dos países em estado de alerta ou com caso confirmado, ou confirme contato com alguém que esteve nestes locais de risco.

Esta matéria está em atualização.